A importância da formação contínua para professores de ciências é um aspecto essencial para a implementação do ensino de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM) nas escolas brasileiras. Essa afirmação é respaldada por um levantamento organizado pela Fundação Carlos Chagas, em parceria com o British Council, que analisa a incorporação dessas disciplinas na educação básica do país.
Sandra Unbehaum, coordenadora do estudo, enfatiza que a infraestrutura, como a disponibilização de computadores, não é suficiente para garantir um ensino de qualidade. Para ela, é necessário que haja um investimento profundo e constante na formação dos profissionais da educação. "A formação não pode ser pontual, não pode ser somente para professores que conseguem articular o seu tempo de trabalho e de formação", destaca.
A pesquisadora também aponta que muitos docentes enfrentam a realidade de atuar em várias escolas, além de lidar com um número excessivo de turmas e alunos. Nesse contexto, a capacitação deve ser integrada ao cotidiano dos professores, e não apenas oferecida de forma esporádica ou a distância. Ela defende que a troca presencial é fundamental para uma formação mais aprofundada.
Outro aspecto relevante abordado por Unbehaum é a necessidade de garantir que a infraestrutura para o ensino de STEM seja igual em todas as regiões do Brasil. O acesso a tecnologias, internet e suporte técnico deve ser democrático, evitando assim desigualdades educacionais. "A falta de acesso adequado a toda tecnologia hoje disponível vai contribuir para uma desigualdade educacional", alerta.
Além disso, a estudante Manuela Calixto destaca a importância do ensino de STEM em um mundo cada vez mais influenciado pela inteligência artificial. Ela menciona que é crucial aprender a entender e utilizar essas tecnologias de forma crítica, em vez de apenas consumi-las. "Temos a oportunidade de pesquisar, criar projetos e usar ferramentas diferentes", afirma.
Hugo Nepomuceno, secretário municipal de Educação do Rio de Janeiro, também enfatiza a relevância dos Ginásios Educacionais Tecnológicos (GETs) no processo de ensino. Ele ressalta que essas iniciativas proporcionam aos alunos um aprendizado prático e interativo, permitindo que desenvolvam projetos que extrapolam o conteúdo dos livros didáticos. Nepomuceno acredita que essa abordagem impacta positivamente o entorno escolar, aproximando a tecnologia do cotidiano das famílias e fortalecendo a relação das escolas com suas comunidades.