O Governo do Estado enfrenta novos desafios na Assembleia Legislativa, impulsionados por movimentos da oposição que garantiram maioria na CPI da Publicidade e ampliaram sua influência nas comissões de Justiça, Finanças e Administração. Essa nova configuração obriga o Executivo a depender cada vez mais do plenário para reverter decisões desfavoráveis tomadas nesses colegiados.
A aprovação, na Comissão de Justiça, do relatório do deputado Waldemar Borges sobre o empréstimo de R$ 1,5 bilhão, que destina 50% dos recursos para projetos municipais, representa o primeiro grande teste. O governo planejava investir o montante no Arco Metropolitano e na BR-232, e o novo cenário pode fragmentar esse investimento.
Lideranças do Governo afirmam que a governadora Raquel Lyra conta com o apoio de 32 dos 49 deputados, número suficiente para garantir a maioria de 25 votos em plenário. No entanto, a recente votação para a designação do novo administrador de Fernando de Noronha, Virgílio Oliveira, demonstrou a dificuldade em mobilizar a base governista. Apesar do esforço nas comissões, o governo não conseguiu reunir o quórum necessário no plenário, adiando a votação para o dia seguinte.
Um deputado governista expressou preocupação com a necessidade constante de mobilizar a base para cada votação, enquanto a oposição vislumbra a possibilidade de atrair parlamentares insatisfeitos da base governista. Apesar da dificuldade em uma deserção em massa, a agenda municipalista do Executivo, que prioriza prefeitos em detrimento dos deputados, gera descontentamento. Em resposta, a governadora tem buscado incluir parlamentares em seus eventos, mencionando-os individualmente.
O deputado estadual João Paulo Silva, da bancada governista, absteve-se na votação da CPI, justificando sua atitude pela necessidade de diálogo, discordando da postura da deputada Dani Portela em relação ao adiamento da instalação da comissão.
No plenário, o debate entre governistas e oposicionistas sobre os acontecimentos no Legislativo foi acalorado. A deputada Dani Portela criticou a atitude do secretário de Meio Ambiente, Daniel Coelho, que se retirou de uma audiência pública. O deputado Renato Antunes rebateu, afirmando que o secretário foi agredido por um participante.
O economista e estatístico Maurício Romão aponta que, segundo pesquisas recentes, grande parte dos eleitores ainda não definiu seus votos para as eleições de 2026.