O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reconhece que a atual regulamentação e fiscalização das apostas não têm se mostrado eficazes na mitigação de seus efeitos negativos. Essa avaliação foi feita pela ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, durante um encontro realizado na terça-feira, 1º de setembro de 2026, que reuniu ministros, representantes de diversas entidades, pesquisadores e líderes religiosos.
Na reunião, Lula ouviu propostas de como aprimorar a abordagem em relação às apostas, antes de definir novas diretrizes. Ao término do encontro, o presidente manifestou a intenção de convocar uma nova reunião ainda nesta semana para avançar nas discussões sobre o tema.
A análise apresentada destaca que as apostas estão afetando não apenas a saúde pública, mas também as relações familiares e contribuindo para o endividamento da população. O governo enfatiza que os impactos financeiros sobre as famílias devem ser uma prioridade na discussão sobre regulamentação.
Miriam Belchior ressaltou que o crescimento das apostas tem levado a um aumento no endividamento dos brasileiros e a um número crescente de casos de dependência. Além disso, mencionou a conexão do setor com atividades criminosas como um dos obstáculos que a administração precisa enfrentar.
O encontro contou com a presença da primeira-dama Janja Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e outros ministros, incluindo Wellington César Lima e Silva (Justiça), Alexandre Padilha (Saúde) e Paulo Henrique Cordeiro (Esporte). Também participaram representantes de organizações empresariais, de defesa do consumidor e de saúde, além de figuras religiosas como o Cardeal Jaime Spengler, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
O governo busca aumentar o diálogo com a comunidade evangélica, que expressa preocupações sobre os efeitos das apostas. Essa discussão também permite ao governo abordar o tema do endividamento das famílias, que ganhou destaque no debate eleitoral de 2026, especialmente por parte da oposição, com figuras como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) levantando questões sobre a relação entre o endividamento e as políticas do governo Lula.