Guilherme Cortez, deputado federal pelo PSol e eleito para a Assembleia Legislativa de São Paulo em 2022, observa que os resultados de sua candidatura e de outros jovens políticos progressistas indicam uma mudança significativa na capacidade da esquerda de confrontar a extrema-direita. Em sua análise, essa nova geração de parlamentares é fruto de um processo de aprendizado que se intensificou nos últimos anos, especialmente durante um período em que a direita dominou o debate político.
Cortez participou de um encontro com o presidente Lula em Brasília, onde se reuniram jovens políticos de esquerda que obtiveram votações expressivas nas eleições recentes. O deputado afirma que a bancada eleita é “muito mais preparada” para o embate ideológico do que em ciclos eleitorais anteriores. Em sua perspectiva, a experiência adquirida nos últimos anos, tanto em parlamentos quanto em plataformas digitais, possibilitou que a esquerda desenvolvesse estratégias mais eficazes para a disputa.
A nova geração de políticos, Segundo Cortez, é caracterizada por sua familiaridade com o ambiente digital, o que facilita a comunicação com os eleitores. Ele rememora sua primeira manifestação pública em junho de 2013 e destaca que a política moderna não pode ser dissociada das redes sociais, que se tornaram ferramentas fundamentais na mobilização e na disseminação de ideias.
O deputado também menciona que os eleitores mais jovens, com idades entre 16 e 18 anos, nasceram após a crise econômica de 2008, um evento que moldou as frustrações atuais da sociedade. Cortez acredita que essas frustrações devem ser abordadas pela esquerda, que precisa apresentar alternativas viáveis e novos responsáveis pelos problemas sociais, que, conforme ele, têm raízes profundas no capitalismo e na desigualdade econômica.
Para Cortez, a esquerda deve ter um papel ativo na busca por soluções, já que a narrativa da direita frequentemente se baseia em um retorno a um passado idealizado. Ele ressalta que a renovação política não deve levar décadas, como tradicionalmente se pensava, mas já está em curso, com os eleitores antecipando a necessidade de mudanças.
Ao falar sobre o futuro da política, o deputado enfatiza a importância de candidaturas que sejam contemporâneas e que dialoguem com as questões atuais, utilizando métodos que façam sentido na era digital. Ele observa que, embora a direita tenha suas próprias estratégias, a esquerda deve se diferenciar ao focar na verdade e na transparência, evitando as armadilhas da desinformação.