O jornalista Homero Fonseca faleceu na tarde do dia 22 de agosto, deixando um legado significativo no campo do jornalismo. Reconhecido por sua ampla capacidade de apuração, Fonseca se destacou como um repórter meticuloso, combinando técnica refinada com um profundo respeito ao cidadão. Ele foi um dos pioneiros em transformar dados empresariais em relatos que capturavam ações sociais, antecipando-se ao que hoje conhecemos como relatórios de ESG, mesmo antes da sigla ser criada.
Formado em 1979 pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), Homero já era um profissional ativo na área sindical quando decidiu ingressar na faculdade. Sua trajetória incluiu não apenas a prática do jornalismo, mas também a formação de novos jornalistas. Ele ensinava não apenas técnicas de apuração, mas também os princípios de ética e respeito aos entrevistados, exigindo dos alunos um comprometimento com a precisão das informações.
A exigência de Homero era notável, especialmente em um momento em que a pesquisa demandava tempo e esforço, como folhear documentos e compilar dados. No entanto, sua generosidade se manifestava quando ele surpreendia novatos ao assinar seus primeiros textos, seja no Diário de Pernambuco ou no Jornal do Commercio. Ele acreditava que a decisão de assinar um texto deveria ser uma recompensa pelo trabalho árduo de apuração, especialmente para estagiários.
Homero se posicionava como um jornalista de esquerda, embora não fosse filiado a nenhum partido. Ele se destacou em manifestações que clamavam por “Pelas Liberdades Democráticas”, marcando presença em passeatas no centro do Recife. Sua atuação abrangeu diversos jornais, onde não apenas escreveu, mas também fez capas e contribuiu para o fortalecimento do jornalismo.
Além de sua carreira na imprensa, ele também deixou sua marca no Carnaval, tendo ajudado a fundar o bloco Siri na Lata, ao lado de Ricardo Carvalho e Paulo Brás, trazendo um lado mais leve e divertido à sua personalidade, que era geralmente considerada séria e rigorosa.
A partida de Homero Fonseca representa uma perda significativa para o jornalismo, uma vez que ele foi um mentor para inúmeros profissionais, sempre focando na importância da ética e da melhoria da reputação do jornalista. Seu método de trabalho, que priorizava a precisão, ainda é um exemplo a ser seguido por aqueles que atuam na área, especialmente em um cenário onde a tecnologia e as redes sociais dominam a comunicação.