O Departamento de Guerra dos Estados Unidos divulgou, nesta segunda-feira (24 de agosto de 2026), um investimento de US$ 750 milhões em um veículo financeiro destinado à aquisição da produção de terras-raras da SERRA VERDE, que administra o projeto Pela Ema, localizado em Minaçu (GO). Este montante representa um aumento de US$ 250 milhões em relação aos US$ 500 milhões que estavam inicialmente previstos.
A iniciativa foi apresentada pelo governo norte-americano como uma estratégia para “assegurar” o acesso a elementos críticos de terras-raras provenientes da SERRA VERDE. Os recursos serão direcionados à US SIIE LLC, uma sociedade de propósito específico (SPV) criada para adquirir os carbonatos mistos de terras-raras gerados pela mineradora.
De acordo com o comunicado oficial, “esta parceria estratégica estabelecerá uma cadeia de suprimentos segura para elementos de terras raras críticos para a defesa nacional e a segurança econômica”. A capitalização desse veículo financeiro é uma das condições necessárias para a aquisição da SERRA VERDE pela USA Rare Earth, anunciada em abril e avaliada em US$ 2,8 bilhões, equivalente a cerca de R$ 14,4 bilhões. O investimento do governo dos EUA no projeto corresponde a aproximadamente R$ 3,9 bilhões.
Além do aporte inicial, o governo norte-americano planeja oferecer uma linha de crédito de até US$ 500 milhões em colaboração com uma instituição bancária, além de um compromisso de compra de US$ 300 milhões firmado pelo Departamento de Guerra. Contudo, a formalização e o desembolso dessa linha bancária ainda não foram concretizados.
A VENDA da SERRA VERDE gerou questionamentos no Brasil sobre questões de soberania e controle de recursos minerais estratégicos por entidades estrangeiras. Parlamentares expressaram preocupação com o risco de o país seguir um modelo que prioriza a exportação de matéria-prima de menor valor, enquanto a tecnologia necessária para o processamento é importada a um custo elevado. A empresa possui todas as 8 concessões brasileiras para a extração de terras-raras, todas localizadas em Goiás, e é a única mineradora com uma operação comercial significativa nesse segmento no Brasil.
O governo dos EUA acredita que o acordo com a SERRA VERDE é parte de sua estratégia para diminuir a dependência da CHINA, que atualmente controla cerca de 90% da capacidade global de processamento e refino de terras-raras. O Departamento de Guerra considera essa dominação uma vulnerabilidade para a indústria e a segurança nacional norte-americana. A parceria permitirá contornar a predominância chinesa na cadeia de suprimentos e impulsionar a fabricação de ímãs nos Estados Unidos.