A administração brasileira da Itaipu Binacional declarou que a crise envolvendo o Ueno Bank, no Paraguai, não compromete a operação da Usina Hidrelétrica de Itaipu. Em nota, a empresa afirmou que não há recursos financeiros sob gestão da margem brasileira depositados ou aplicados na instituição financeira digital, dissolvida pelo Banco Central do Paraguai (BPC) no início da semana.
Ainda segundo a Itaipu, as aplicações financeiras da entidade seguem normas e procedimentos internos, com critérios de segurança, liquidez e rentabilidade, e a gestão observa as competências estabelecidas para cada margem. A empresa garantiu que a operação da usina segue normalmente, sem impacto na produção e no fornecimento de energia.
Inaugurada em 1982, a Usina Hidrelétrica de Itaipu é uma obra construída por Brasil e Paraguai no Rio Paraná, na divisa entre os dois países. Apesar de ser compartilhada em partes iguais pelas duas nações, a gestão de cada lado é independente, e os recursos brasileiros transitam pelo sistema bancário nacional.
O lado paraguaio da Itaipu, por sua vez, foi ligado à crise do Ueno Bank, que faz parte da lista de instituições públicas no Paraguai com fundos na financeira fechada nesta semana. Até o momento, não está claro quanto foi aplicado no banco. Estimativas apontam que o Ueno mantinha cerca de US$ 850 milhões (cerca de R$ 4,5 bilhões) em fundos públicos do país, bloqueados após o início do processo de dissolução.
Diante do escândalo, políticos paraguaios, inclusive aliados, abriram um processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña, eleito em 2023. Ele mantinha ligações com o banco e foi acionista de uma empresa ligada ao Ueno até março do último ano. Peña apresentou renúncia na quinta-feira (5/11), mas o Congresso do Paraguai rejeitou o pedido. O processo de impeachment segue em discussão e pode culminar na perda de imunidade parlamentar para o político de 47 anos.