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João Campos enfrenta desafio de reconstruir o PSB após derrota para Raquel Lyra

Sem comando do Governo de Pernambuco e com menos prefeitos, João Campos precisa decidir como recuperar influência política, como fez Eduardo Campos no passado....

A derrota de João Campos (PSB) na disputa pelo Governo de Pernambuco em 2026 para Raquel Lyra colocou o partido em uma situação que lembra a crise enfrentada por seu pai, Eduardo Campos, após 1998. Naquele ano, Miguel Arraes perdeu o governo estadual para Jarbas Vasconcelos, e o PSB pernambucano perdeu a máquina administrativa, sofreu debandada de lideranças e viu prefeitos e aliados buscarem novos caminhos políticos.

Eduardo Campos, que havia sido secretário da Fazenda no governo Arraes, enfrentou o desgaste do escândalo dos precatórios, embora o Supremo Tribunal Federal tenha rejeitado a denúncia contra ele em 2003. Em 1992, ele havia disputado a Prefeitura do Recife e terminado em quinto lugar, com 4,99% dos votos válidos. Ele dizia que era tratado como leproso por outros políticos e precisou se reinventar. A recuperação do PSB levou oito anos, entre a derrota de Arraes e a vitória de Eduardo para governador em 2006. Nesse período, ele preservou lideranças, reconstruiu relações no interior, organizou diretórios e aproximou prefeitos.

João Campos herdou um partido consolidado, com histórico de governos estaduais e municipais, e foi reeleito prefeito do Recife em 2024. No entanto, deixou a prefeitura para disputar o governo estadual e não venceu. Continua presidente nacional do PSB, mas perdeu o comando direto de uma das principais máquinas administrativas pernambucanas. O partido elegeu nove deputados estaduais, empatando com o PSD como maior bancada da próxima Assembleia Legislativa. A presença municipal, porém, encolheu: dos 31 prefeitos eleitos em 2024, o PSB chegou a outubro deste ano com apenas 19. Nacionalmente, a legenda também não conquistou governos estaduais.

Durante a campanha, João percorreu municípios e conversou com prefeitos, mas, segundo a análise, há diferença entre mobilizar lideranças para uma eleição e organizar uma estrutura partidária capaz de resistir a uma derrota. Eduardo fez a segunda coisa, mantendo relações mesmo sem cargos a distribuir. Agora, João terá de decidir quanto de sua energia política dedicará a esse trabalho. A eleição municipal de 2028 será uma oportunidade para medir resultados, com o partido precisando formar candidatos competitivos, ampliar presença nas prefeituras e recuperar relações com grupos que se aproximaram de Raquel Lyra.

A tarefa exige tempo e atenção permanente, não podendo ser substituída apenas por aparições públicas ou articulações da direção nacional. João mantém a presidência do PSB e a bancada socialista terá papel na fiscalização do Executivo, mas recuperar protagonismo no estado exigirá um projeto que não dependa exclusivamente de uma candidatura ao governo ou de disputas internas na Assembleia Legislativa.

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