O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou nesta terça-feira (27.out.2026) que a campanha de voto útil em Flávio Bolsonaro (PL) já no primeiro turno fez com que eleitores de candidatos derrotados migrassem antecipadamente para o senador. Segundo Kassab, os votos de Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante) foram para Flávio antes do segundo turno, o que, na avaliação do dirigente, reduziu a transferência de votos nessa etapa e contribuiu para a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Kassab deu a declaração durante o evento "Brasil Quadriênio 2027, 2030: O que esperar dos eleitos?", promovido pelo Dominium Group. Ele citou o desempenho de Caiado, candidato do PSD no primeiro turno, que chegou a registrar 9% nas pesquisas internas do partido, mas terminou a disputa com pouco mais de 2% dos votos. "O que era simpático ao Flávio foi no primeiro turno. 'Ah, bom, já que o Caiado não tem chance, vamos para o Flávio'", afirmou.
Para o dirigente, a migração não ocorreu de forma automática no segundo turno porque parte dos eleitores que preferiram Flávio já havia deixado as candidaturas de Caiado, Zema e Renan Santos (Missão) na primeira etapa da eleição. Kassab afirmou que permaneceu um contingente de eleitores que ainda não conhecia suficientemente o candidato do PL, que disputou pela primeira vez uma eleição presidencial.
Segundo o presidente do PSD, a exposição dos candidatos durante o segundo turno permitiu que os eleitores conhecessem melhor as ideias de Flávio, em meio a uma campanha marcada pela polarização. Kassab também afirmou que, nas semanas finais do primeiro turno, Lula apresentava tendência de crescimento nas pesquisas, enquanto Flávio não conquistava os votos que esperava.
Ao comentar o governo de Lula, reeleito para um novo mandato, Kassab disse que o PSD pretende colaborar com a administração, mas sem abrir mão da independência política. Segundo ele, o partido apoiará propostas que considerar positivas para o país e atuará para rejeitar medidas que avaliar inadequadas. Kassab afirmou que a sigla poderá participar do governo, desde que isso não implique submissão ao Executivo. "O PSD é um partido de centro", declarou, acrescentando que a legenda reúne integrantes com diferentes posições políticas e manterá postura de colaboração e fiscalização durante o novo mandato presidencial.