A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está adotando uma nova estratégia ao buscar apoio de dissidentes do Centrão, em vez de se concentrar apenas nas cúpulas partidárias. Após a adesão de partidos como PP, União Brasil e Republicanos ao senador Flávio Bolsonaro (PL), o foco agora é em governadores, prefeitos e congressistas que possam se aliar ao petista ou optar pela neutralidade. Na última sexta-feira (9 de outubro de 2026), Camilo Santana, porta-voz da campanha, revelou que muitos parlamentares já estão ao lado de Lula, mesmo que as direções das siglas ainda mantenham posições oficiais de apoio a Flávio.
Durante uma conversa com jornalistas no QG da campanha, localizado no Lago Sul, em Brasília, Santana testou esse formato de diálogo que deverá ser repetido ao longo do segundo turno da eleição. Ao ser questionado sobre o impacto dos apoios que Flávio conseguiu angariar, ele observou que, embora a direção nacional de diversos partidos tenha declarado apoio ao senador, os filiados estão divididos. Ele afirmou que há uma presença significativa de deputados federais e estaduais, senadores e governadores desses partidos que estão apoiando Lula.
Um exemplo notável dessa movimentação é o governador da Paraíba, Lucas Ribeiro (PP), que garantiu que não abandonará seu apoio a Lula, mesmo após a federação União-Progressista se alinhar com Flávio. Apesar do pedido da direção da federação para que os filiados lulistas se abstivessem, a cúpula não deverá aplicar punições a esses membros. Além disso, Camilo Santana confirmou que o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), também manifestou apoio ao presidente.
Essa abordagem em busca de dissidentes não é uma novidade para a campanha de Lula. Antes da eleição, a equipe já previa que seria complicado impedir a aproximação das cúpulas partidárias com Flávio. Por isso, a estratégia passou a focar em dissidências nos estados e nas lideranças que mantêm diálogo com o Palácio do Planalto. Edinho Silva, presidente do PT, participou ativamente dessas conversas com os blocos, buscando apoio de líderes do Republicanos e do PSD. Ele já havia se encontrado com Marcos Pereira, presidente do Republicanos, e com Gilberto Kassab, do PSD.
Edinho revelou que Kassab indicou que o PSD adotaria uma postura neutra, mas que o PT teria liberdade para agir. A campanha está particularmente atenta a estados como São Paulo e Minas Gerais, onde busca ampliar sua base de apoio após os resultados do primeiro turno.
Outro objetivo da campanha é recuperar votos no Nordeste, região onde Lula perdeu apoio em relação a 2022. Para isso, a estratégia inclui contar com aliados fora do PT. O governador de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD), afirmou que está ao lado do presidente e que a região é crucial para a sua vitória. Ele destacou que Sergipe foi um dos três estados nordestinos onde Lula obteve um aumento na votação em comparação a 2022.