Na quarta-feira, 16 de setembro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma comparação entre o vício em apostas esportivas, conhecidas como bets, e a dependência de drogas como o crack. Durante uma entrevista ao podcast Desce a Letra, realizada no Palácio da Alvorada, Lula abordou a questão em resposta a uma pergunta sobre a proposta de alteração na escala de trabalho, que atualmente é de seis dias trabalhados seguidos de um dia de folga.
O presidente expressou sua preocupação com a situação e cobrou do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a tramitação da proposta na Casa. Lula defendeu a necessidade de um dia adicional de descanso, argumentando que isso poderia proporcionar momentos para que as pessoas cuidem de suas famílias, leiam e se desconectem das apostas. "E não para jogar nas bets", enfatizou.
Lula afirmou ter a disposição pessoal de acabar com as bets, mas ressaltou a importância de ouvir a opinião da população. "Estamos discutindo. Já fiz três reuniões no governo e com a sociedade. Minha intenção é acabar com as bets, mas preciso considerar o que a sociedade pensa", declarou o presidente.
Em um relato sobre as consequências do vício em apostas, Lula mencionou ter conversado com um jogador que acumulou uma dívida de R$ 2,2 milhões, revelando que ele vendeu bens da família, como o terreno do pai e o carro, para quitar as perdas. O presidente classificou a ludopatia como uma doença, que leva as pessoas a esconderem suas situações financeiras.
Lula traçou um paralelo entre a realidade das apostas e a chegada do crack ao Brasil, no final da década de 1980 e início da década de 1990. Ele destacou que, assim como os viciados em crack que vendiam bens para sustentar o vício, os apostadores estão se endividando e vendendo o que não têm. "A bets hoje é uma desgraça para o país. O povo pobre que trabalha perde tudo", afirmou.
De acordo com dados da 3ª edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros, as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões em apostas esportivas no ano de 2025. Durante o mesmo período, as plataformas de apostas movimentaram R$ 350,97 bilhões em transferências via Pix, no primeiro ano de regulamentação do setor. Os dados foram elaborados pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda em parceria com o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento, com base em informações do Banco Central e das Estatísticas de Pagamentos por Atividade Econômica.