O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende ampliar a presença de mulheres e de partidos do Centrão no comando de ministérios em seu 4º mandato. A nova composição também deverá acomodar aliados que perderam eleições ou ficarão sem mandato a partir de 2027, segundo o material. Em troca, o Palácio do Planalto exigirá fidelidade das siglas que integrarem o governo.
As negociações formais para a troca de ministros ainda não começaram. Desde a vitória nas urnas, Lula tem tratado de assuntos corriqueiros no Palácio da Alvorada, como a preparação de viagens internacionais, e descansa na Granja do Torto. A expectativa é que as articulações políticas ganhem maior intensidade na quinta-feira (5.nov.2026). Enquanto isso, partidos do Centrão já se movimentam para reivindicar cargos. Silvio Costa Filho (Republicanos) é cotado para comandar a Secretaria de Relações Institucionais (SRI).
A ampliação do espaço para o Centrão responde à necessidade de Lula de formar uma base de apoio mais ampla no Congresso, que terá uma composição mais conservadora a partir de 2027. A participação feminina na Esplanada também é uma demanda apresentada ao presidente ao longo deste mandato. Não há indicação de que Lula pretenda reduzir o número de ministérios; ao contrário, o governo avalia criar uma nova pasta dedicada exclusivamente à Segurança Pública.
O PT pode perder espaço no conjunto do governo, mas deve continuar à frente de áreas estratégicas, como a Fazenda e a Casa Civil. Fernando Haddad, Camilo Santana e Rafael Fonteles estão entre os principais nomes mencionados nas articulações. Haddad é citado para a Casa Civil e para o Ministério da Educação, e também foi cotado para o Ministério das Relações Exteriores, embora o atual chanceler, Mauro Vieira, deva permanecer no cargo. Camilo aparece como alternativa para a Casa Civil, enquanto Fonteles é cotado para assumir a Fazenda, com avaliação positiva por integrantes do mercado financeiro e economistas. A escolha para a área econômica é uma das principais pendências da composição, e a tendência é que Lula comece as escolhas por esse setor. Além de Fonteles, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) é mencionado para o posto.
A Assessoria Especial da Presidência da República deve continuar sob o comando de Celso Amorim. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, deve permanecer no governo, assim como Wolney Queiroz (PDT) na Previdência Social e Luiz Marinho (PT) no Trabalho e Emprego. A situação de Sidônio Palmeira, ministro da Secretaria de Comunicação Social, ainda não está definida, mas sua permanência não está descartada. Um dos movimentos da montagem do novo governo será a abertura de espaço para aliados que perderam disputas eleitorais ou não terão mandato a partir de 2027, como Gleisi Hoffmann (PT), Tebet, Marina Silva (Rede), Alexandre Silveira (PSD) e João Campos (PSB). José Guimarães (PT) abriu mão de concorrer ao Senado pelo Ceará para assumir o Ministério das Relações Institucionais.