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Médicos declararam morte cerebral um dia antes de Christa Pike falar

Os médicos chegaram a declarar a morte cerebral de Christa Pike, de 50 anos, após a americana sobreviver a duas tentativas de execução por...

Os médicos chegaram a declarar a morte cerebral de Christa Pike, de 50 anos, após a americana sobreviver a duas tentativas de execução por injeção letal no estado do Tennessee, nos Estados Unidos. Segundo seus advogados, a equipe jurídica foi informada, na segunda-feira (5), de que o suporte de vida seria desligado no dia seguinte. No entanto, na terça-feira (6), a condenada à morte surpreendeu a todos ao acordar e começar a falar.

A revelação foi feita na quarta-feira (7) pelo advogado Randy Spivey, durante uma entrevista coletiva à imprensa americana.

“Na noite de segunda-feira, tínhamos entendido que Christa estava em morte cerebral e que o suporte de vida seria retirado no dia seguinte”, afirmou Spivey.

“Mas, na terça-feira, para surpresa de todos, Christa acordou e começou a falar”, acrescentou.

O advogado ressaltou que ainda não existe “uma explicação para o que aconteceu entre a noite de segunda-feira e a manhã de terça-feira” e destacou que sua cliente “tem um longo caminho de recuperação pela frente”.

Spivey também revelou quais teriam sido as primeiras palavras de Pike após recuperar a consciência.

“Não quero especular muito, mas, segundo o que nos foi informado, a primeira coisa que ela disse quando acordou foi: ‘Onde estou e quem são vocês?'”, contou.

A informação sobre a morte cerebral foi relatada pela defesa, sem a divulgação de documentos médicos que confirmem o diagnóstico.

Christa Pike enfrenta complicações após execução fracassada

Apesar de ter recuperado a consciência, o estado de saúde de Christa Pike ainda inspira preocupação.

Segundo o advogado, ela apresenta um coágulo sanguíneo no braço, sofre de pneumonia e continua sem conseguir engolir.

Spivey evitou responder a perguntas médicas específicas por não ter formação na área, mas afirmou que a americana “está irritada e confusa com tudo neste momento” e “entende bem o que fizeram com ela, até certo ponto”.

A equipe jurídica também informou que os braços de Pike ficaram queimados e com bolhas após as tentativas de injeção letal.

Mesmo internada, a condenada permanece algemada à cama do hospital.

Justiça manda preservar provas da tentativa de execução

Na quarta-feira, durante uma audiência em Nashville, os advogados de Pike solicitaram que o Departamento de Correção do Tennessee fosse obrigado a preservar todas as provas relacionadas à execução fracassada.

A juíza I’Ashea Myles determinou que o estado preservasse “tudo o que estivesse na sala de execução”.

A decisão inclui gravações, relatos de testemunhas, e-mails, medicamentos, seringas, acessos intravenosos e outros materiais médicos utilizados no procedimento.

“Parte do problema que enfrentamos é que, até ontem, nossa cliente estava inconsciente, incapaz de se comunicar com os advogados e com os profissionais de saúde. Sem o consentimento dela, não é possível apresentar uma nova ação judicial”, explicou ao tribunal Luke Ihnen, defensor público federal.

A defesa também exigiu acesso aos números dos lotes dos medicamentos, às agulhas e aos registros da execução.

O gabinete do procurador-geral do Tennessee argumentou que a ordem judicial não era necessária.

O procurador-geral adjunto John W. Ayers afirmou que as provas da câmara de execução já haviam sido recolhidas e registradas.

O que pode ter provocado a falha na execução?

Especialistas em medicina e injeção letal levantaram a possibilidade de que um problema nos acessos intravenosos tenha impedido que os medicamentos chegassem corretamente à corrente sanguínea de Pike.

Nesse cenário, as substâncias teriam se acumulado nos tecidos da condenada.

No pedido apresentado à Justiça, os advogados afirmaram que “aparentemente, em nenhum momento, qualquer integrante da equipe de execução percebeu que os acessos intravenosos não estavam posicionados corretamente ou que as veias haviam se rompido”.

Testemunhas relataram que Pike permaneceu acordada, conversou e cantou com seu orientador espiritual mesmo após o início da administração dos medicamentos.

Depois da primeira dose, continuou se movimentando e respirando de maneira audível.

Segundo os relatos, ela ainda estava viva e emitia sons após a segunda tentativa de injeção letal, sendo posteriormente retirada da prisão em uma ambulância.

O governador republicano do Tennessee, Bill Lee, classificou o episódio como “profundamente perturbador” e determinou uma “revisão abrangente por terceiros para determinar exatamente o que aconteceu”.

O governador também adiou a única outra execução prevista no estado para este ano. O chefe do sistema prisional pediu demissão após o episódio.

Por que Christa Pike foi condenada à morte?

Christa Pike foi condenada à pena de morte pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, colega do programa de formação profissional Job Corps, em Knoxville, no Tennessee, em 1995.

Segundo a acusação, Pike acreditava que Slemmer estava tentando conquistar seu namorado, Tadaryl Shipp.

Em 12 de janeiro de 1995, a jovem foi atraída para uma área de mata, onde acabou esfaqueada e espancada até a morte.

Durante o ataque, Pike utilizou um estilete e um pedaço de asfalto. Um pentagrama, símbolo frequentemente associado ao satanismo, também foi gravado no corpo da vítima.

Shipp admitiu ter sido responsável por fazer a marca.

O crime ganhou grande repercussão nos Estados Unidos.

Em março de 1996, Pike foi condenada à morte. O namorado recebeu pena de prisão perpétua, com possibilidade de liberdade condicional, por ser menor de idade na época do assassinato.

Por Notícias ao Minuto

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