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Metrô do Recife: Maquinista Alerta para Risco Após Incêndio em Trem

Um incêndio em um trem do Metrô do Recife expôs a fragilidade do sistema, que, por pouco, não resultou em uma tragédia. O incidente,...

Um incêndio em um trem do Metrô do Recife expôs a fragilidade do sistema, que, por pouco, não resultou em uma tragédia. O incidente, ocorrido no último sábado, mobilizou a comunidade local e o maquinista, Antônio Carlos Bezerra Neto, 60 anos, com 38 de experiência, que descreveu o pânico dos cerca de 50 passageiros a bordo.

Segundo o maquinista, a situação atual do sistema metroviário da região metropolitana é crítica, colocando em risco tanto passageiros quanto operadores. “Todos que operam o metrô diariamente têm feito o possível, mas está muito difícil sem recursos básicos e investimentos. É assustador porque sabemos da nossa responsabilidade pela vida dos usuários que transportamos”, desabafou.

O incêndio teve início após uma manobra de energia solicitada pelo Centro de Controle Operacional (CCO). Após a parada do trem, o CCO solicitou a desenergização e aguardo. Ao reenergizar, a situação persistiu e, pouco tempo depois, um forte barulho seguido de gritos de “fogo” ecoaram entre os passageiros.

O fogo começou no último vagão. O maquinista só foi alertado sobre o incêndio por um morador da área, que o avisou sobre as chamas na parte superior do trem. Imediatamente, o maquinista abriu as portas para a evacuação, temendo a propagação da fumaça.

A retirada dos passageiros contou com o auxílio da comunidade, que improvisou escadas e cadeiras para ajudar na transposição do muro que isola a linha. Após a retirada, o maquinista e um segurança tentaram conter as chamas com extintores, mas sem sucesso. A inalação de fumaça forçou o maquinista a recuar, aguardando a chegada do Corpo de Bombeiros.

Antônio Carlos Bezerra Neto reforça que o incidente é resultado da degradação da infraestrutura do metrô. Ele classificou a operação atual como desgastante e degradante, mencionando falhas estruturais, como a falta de energia, cabos danificados e problemas de manutenção.

O maquinista fez um apelo urgente ao governo federal por recursos, independentemente da futura concessão do sistema à iniciativa privada. “A situação é crítica, com a operação sendo feita sem recursos, sem nada. É preciso investimento no sistema porque estamos no limite máximo. Aliás, eu acho que já passamos do limite”, alertou. Ele também relembrou um episódio anterior, em Joana Bezerra, quando um fio energizado caiu na plataforma, representando risco de choque para os passageiros.

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