Especialistas defendem a implementação massiva de tecnologias de monitoramento neurológico em recém-nascidos, visando agilizar o atendimento e prevenir danos irreversíveis ao sistema nervoso central, especialmente em bebês prematuros e de alto risco. A discussão, que ocorreu durante uma audiência pública na Comissão de Assuntos Sociais, ressaltou a importância da saúde digital em UTIs neonatais para garantir um futuro mais saudável para os pequenos.
A médica neonatologista Carla Serrano Bilynskyj destacou os riscos neurológicos associados à prematuridade, como hemorragia cerebral e instabilidade extrauterina, enfatizando a vulnerabilidade desses bebês. Ela também abordou a asfixia neonatal, uma das principais causas de morte em recém-nascidos, que pode ser evitada através do monitoramento neurológico contínuo nas UTIs. A monitoração cerebral, segundo a médica, permite uma avaliação precisa da atividade elétrica cerebral, auxiliando na prevenção de crises convulsivas e na administração correta de medicamentos.
Letícia Pereira de Brito Sampaio, representante da Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil, alertou para o alto risco de crises epiléticas em bebês sem a devida assistência no Brasil, mesmo com a diminuição da mortalidade neonatal nas últimas duas décadas. Para ela, o monitoramento contínuo nas UTIs neonatais é crucial para a identificação precoce de problemas neurológicos e a minimização de danos cerebrais.
Michele Manzoni, mãe de uma criança que recebeu tratamento especializado em UTI neonatal, compartilhou sua experiência, destacando como o monitoramento digital foi fundamental na evolução de seu filho, Isaque, que hoje tem 8 anos. Ela expressou sua gratidão por ter tido acesso a esse recurso, gratuitamente, através do Sistema Único de Saúde (SUS).
A senadora Damares Alves enfatizou que a aquisição desses sistemas de monitoramento representa um investimento de longo prazo, com potencial para reduzir gastos públicos com benefícios sociais e assistência às famílias. Fernando Augusto Marinho, do Ministério da Saúde, ressaltou a importância do acompanhamento pré-natal adequado para evitar complicações e gastos futuros.
A secretária nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Anna Paula Feminella, destacou a necessidade de mobilizar as autoridades para garantir os direitos das pessoas com deficiência, especialmente em regiões vulneráveis do país. Ela também mencionou a importância de avanços como a ampliação da licença-paternidade para aumentar e distribuir os cuidados das famílias com os bebês.
O médico Gabriel Fernando Todeschi Variane, fundador de um instituto dedicado à proteção cerebral de bebês, considera a discussão no Senado crucial para aprimorar o acompanhamento neonatal. Ele defende a adesão do país às tecnologias de monitoramento, com a criação de unidades de cuidado neurocrítico, destacando os benefícios científicos, econômicos e sociais, como a diminuição do tempo de internação e o uso de medicamentos.