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Motorista ‘laranja’ é investigado por movimentação de R$ 11 milhões em esquema de cassiterita

A Polícia Federal apura as movimentações financeiras de Julio Cesar Jacobsen, que atuava como motorista de Diego Possebon, líder de uma organização criminosa. Jacobsen...

A Polícia Federal (PF) investiga Julio Cesar Jacobsen, identificado como operador financeiro de um esquema de venda ilegal de cassiterita. Documentos da PF revelam que Jacobsen movimentou R$ 43,8 milhões e sacou R$ 11,2 milhões em espécie. Ele é visto como 'testa de ferro' de Diego Possebon, considerado o líder do grupo criminoso.

As investigações apontam que, das movimentações financeiras realizadas, R$ 32,6 milhões foram transferidos via bancos. De acordo com a PF, os valores recebidos por Jacobsen eram direcionados a Possebon, que formalmente o contratou como motorista. Jacobsen, proprietário da empresa J. Cesar Jacobsen, se destacou como o maior destinatário individual de recursos entre os investigados.

Jacobsen também tinha a responsabilidade de retirar pacotes de dinheiro em espécie, entregues por colaboradores do grupo. Em uma dessas ocasiões, ele utilizou uma BMW nova, pertencente a Possebon, para realizar a coleta. Conversas interceptadas pela PF evidenciam a atuação do motorista, com Possebon instruindo outros integrantes sobre a retirada do dinheiro: "O meu motorista tá indo aí retirar os vivos."

A movimentação financeira de Jacobsen chamou a atenção do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou, em Um Relatório de Inteligência Financeira (RIF), valores incompatíveis com a situação financeira do motorista e o faturamento de sua empresa. Entre março e maio de 2023, os créditos nas contas analisadas ultrapassaram R$ 40 milhões, sendo que o dinheiro era rapidamente repassado para contas de terceiros e empresas ligadas ao esquema.

Entre os beneficiários mencionados na investigação está a A.P.N. Serviços, que tem ligação com o cantor Alexandre Pires. A Operação Disco de Ouro II investiga um esquema que supostamente movimentava cassiterita extraída ilegalmente em Roraima, disfarçada como se proveniente de uma área regular de garimpo em Itaituba, no Pará.

As apurações indicam que o grupo utilizava tanto empresas nacionais quanto estrangeiras, além de contas de terceiros e operações financeiras internacionais, empregando o mecanismo informal de dólar-cabo para ocultar a origem e o destino dos recursos. A PF executou 12 mandados de busca e apreensão e 17 ordens de sequestro de bens e valores, todas autorizadas pela Justiça Federal.

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