Uma “falha técnica pontual” em um equipamento de subestação foi a causa do extenso apagão que atingiu todos os estados brasileiros nesta terça-feira. A informação foi divulgada pelo Ministério de Minas e Energia, em entrevista à Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Um incêndio ocorrido na madrugada na Subestação de Bateias, em Campo Largo, região metropolitana de Curitiba, é apontado como o epicentro do problema. De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná foram os estados mais afetados, mas todas as unidades federativas do país registraram interrupção no fornecimento de energia.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, buscou minimizar o evento, enfatizando que não se tratava de “falta de energia”, mas sim de um problema na infraestrutura de transmissão. Ele comparou a situação com os apagões de 2001 e 2021, causados por falta de planejamento e energia, afirmando que o cenário atual é diferente.
Apesar da tentativa de tranquilizar a população, a pane expôs fragilidades no sistema elétrico brasileiro. A falta de linhas de transmissão redundantes, que poderiam ter mitigado o impacto do problema, é um ponto crítico. O ONS informou que a ocorrência no Sistema Interligado Nacional (SIN) interrompeu cerca de 10.000 MW de carga, afetando os subsistemas Sul, Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e Norte.
O restabelecimento da energia nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste/Centro-Oeste ocorreu até a 1h30 da manhã, enquanto a região Sul teve a carga totalmente recomposta por volta das 2h30. A Nacional de Energia Elétrica (Aneel) realizará um leilão no dia 31 para a construção e manutenção de 1.081 quilômetros em linhas de transmissão e seccionamentos, além de 2.000 megawatts (MW) em capacidade de transformação, em 12 estados. Outro leilão está previsto para 2026, com a construção e manutenção de 661 quilômetros em linhas de transmissão.
O governo também estuda a possibilidade de leilões de sistemas de armazenamento de energia, incluindo baterias, como parte integrante das concessões de transmissão. A medida visa aumentar a flexibilidade e a continuidade de energias renováveis no SIN, reduzindo o risco de cortes de geração.
Apesar do país ter o dobro da capacidade de geração de energia que consome, o setor elétrico enfrenta desafios, principalmente devido ao excesso de geração de energia renovável (eólica, solar e geração distribuída), que exige uma gestão mais complexa do SIN. A insuficiência de linhas de transmissão causa perdas de energia gerada em parques eólicos e solares, além de travar projetos que demandam grandes blocos de energia no Nordeste.
O ONS realizará uma reunião preliminar de Análise da Perturbação para elaborar um relatório até sexta-feira. O episódio reforça a preocupação com a segurança do sistema elétrico, com riscos de apagões não pela falta de energia, mas pela falta de investimentos no sistema de transmissão.