O ex-governador de São Paulo Paulo Maluf, que atualmente tem 95 anos, tem se envolvido ativamente na campanha do candidato a deputado estadual Alberto Haddad Filho, conhecido como Albertinho. Nos vídeos de campanha, Albertinho se refere a Maluf como “tio” e busca associar seu nome ao legado do ex-governador, que ocupou cargos de destaque ao longo de sua carreira política.
Albertinho Maluf concorre utilizando seu nome de urna e, apesar de se apresentar como sobrinho, é na verdade primo de Paulo Maluf. A relação familiar é explicada pelo fato de que a bisavó de Albertinho era tia de Salim Farah Maluf, pai de Paulo Maluf. Essa conexão é uma parte significativa da estratégia de campanha de Albertinho, que visa se beneficiar da notoriedade que o nome Maluf carrega em São Paulo.
Em um diálogo registrado em um dos vídeos, Maluf, devido à sua idade avançada, fala de maneira lenta e com poucas palavras. Albertinho destaca a importância do legado do ex-governador, afirmando: “Nenhum político vai chegar à metade do que o senhor fez. Onde eu vou tem pelo menos 10 obras do senhor. É muito forte e eu tenho orgulho desse nome porque foi o nome que mais fez por São Paulo. Votando em Albertinho é como se vocês tivessem votando em Paulo Maluf para trabalhar por São Paulo”.
A resposta de Maluf é direta: “Você acha que o nome Maluf ainda é forte?”, ao que Albertinho responde: “Foi o nome que mais fez por SP”. Maluf conclui o diálogo com um encorajamento: “Então agora você tem que honrar esse nome”.
O termo malufismo, que caracteriza a administração de Paulo Maluf, surgiu no contexto da ditadura militar que governou o Brasil entre 1964 e 1985. Maluf foi indicado para o cargo de governador de São Paulo sem passar por votação popular, em um sistema conhecido como biônico. Durante sua gestão, priorizou a construção de obras viárias e hospitais, sendo lembrado pelo lema “rouba, mas faz”.
Além de suas atividades como governador entre 1979 e 1982, Maluf também foi candidato à Presidência da República em 1985 e 1989, tendo governado a Prefeitura de São Paulo em dois mandatos: o primeiro de 1969 a 1971 e o segundo de 1993 a 1996. Sua trajetória política é marcada por controvérsias, incluindo uma condenação em 2017 pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal, que resultou em 7 anos, 9 meses e 10 dias de prisão pelo crime de lavagem de dinheiro, em um caso relacionado ao desvio de recursos durante sua gestão na década de 1990.