O novo Ranking do Saneamento, divulgado em 2025, expõe a situação crítica de diversas cidades pernambucanas no que tange ao saneamento básico. O estudo, que avalia os 100 municípios mais populosos do país com base em dados de 2023, aponta que quatro cidades do estado figuram entre as 20 piores do ranking geral.
Olinda, Recife, Paulista e Jaboatão dos Guararapes apresentam desafios significativos em indicadores como Nível de Atendimento, Melhoria do Atendimento e Nível de Eficiência. Recife, inclusive, está entre as capitais brasileiras com pior desempenho.
No ranking, Olinda ocupa a 82ª posição, após uma queda de 11 posições em relação ao ano anterior. Recife está em 83º lugar, com uma leve melhora de 7 posições. Paulista se mantém na 83ª posição, enquanto Jaboatão dos Guararapes ocupa o 89º lugar, com queda de 2 posições, figurando também entre os piores em Coleta Total de Esgoto (92ª posição). Petrolina, apesar de não estar entre os 20 piores, apresentou uma das maiores quedas, despencando 12 posições e indo para a 68ª colocação.
O estudo revela que os 20 piores municípios, incluindo os de Pernambuco, investiram, em média, apenas R$ 78,40 por habitante ao ano entre 2019 e 2023. Este valor é 65% inferior ao considerado ideal para a universalização do saneamento, estimado em R$ 223,82 por habitante. Em contrapartida, os 20 municípios com melhor desempenho investiram R$ 176,39 por habitante no mesmo período.
A diferença nos investimentos impacta diretamente nos indicadores de saneamento. A cobertura de água nos 20 melhores municípios é 21% superior à dos 20 piores, a cobertura de esgoto é 242% maior e o tratamento de esgoto tem um valor 168% maior no grupo dos melhores.
Para melhorar a situação, a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) aposta na repactuação da Parceria Público Privada Cidade Saneada e na concessão dos seus serviços. A PPP, firmada em 2013, tem como objetivo ampliar a cobertura dos serviços de esgotamento sanitário para 90% até 2037, beneficiando seis milhões de pessoas. No entanto, o índice de atendimento de esgoto na Região Metropolitana do Recife atingiu apenas 38% em 2025, com 50% na capital.
A concessão dos serviços da Compesa, prevista para outubro de 2025, prevê investimentos de cerca de R$ 19 bilhões, divididos em dois blocos: um para a Microrregião de Saneamento Básico RMR-Pajeú e outro para a Microrregião do Sertão. A empresa vencedora do leilão será aquela que oferecer o maior desconto na tarifa de água, limitado a 5%.