O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro apresentou um crescimento de 0,4% no segundo trimestre de 2025 em comparação com o primeiro, impulsionado pelo desempenho dos setores de Serviços (0,6%) e Indústria (0,5%). A Agropecuária, no entanto, registrou uma leve retração de -0,1%, segundo dados divulgados pelo IBGE. A economia nacional alcançou um total de R$3,2 trilhões em valores correntes no período.
A taxa de investimento atingiu 16,8% do PIB, igualando a taxa de poupança, ambos superando os números do mesmo trimestre de 2024. O Consumo das Famílias (0,5%) e as Exportações (0,7%) apresentaram crescimento, enquanto o Consumo do Governo (-0,6%) e a Formação Bruta de Capital Fixo (-2,2%) tiveram queda.
Apesar dos números terem superado as previsões de analistas, o resultado ficou aquém das expectativas de ministros do governo, que já manifestavam insatisfação com a manutenção da taxa Selic em 15%. Na visão deles, a alta taxa deixou de ser um instrumento para conter a inflação e passou a prejudicar a economia, dificultando o acesso ao crédito para empresas e impactando a geração de empregos.
O ministro do Trabalho, Paulo Teixeira, foi um dos primeiros a se manifestar, apontando que os dados do Novo Caged de julho revelaram um saldo positivo de 129.775 postos de trabalho com carteira assinada, um número 32,2% menor do que o registrado no mesmo mês de 2024.
O setor de Serviços se destacou com um crescimento de 0,6%, seguido pela Indústria (0,5%), impulsionada pelas Indústrias Extrativas (5,4%). Dentro do setor de Serviços, as atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (2,1%), informação e comunicação (1,2%), transporte, armazenagem e correio (1,0%) foram as que mais cresceram.
Comparado ao ano anterior, o crescimento da Agropecuária foi de 10,1%, impulsionado pelo bom desempenho da pecuária e pelas safras significativas de milho (19,9%), soja (14,2%), arroz (17,7%), algodão (7,1%) e café (0,8%).
A Formação Bruta de Capital Fixo, que reflete o investimento das empresas em máquinas e equipamentos, cresceu 4,1%, impulsionada pelo aumento da importação de bens de capital e pelo desenvolvimento de software.
Na demanda interna, houve aumento de 2,2% na Despesa de Consumo das Famílias e 0,7% na Despesa de Consumo do Governo, com a Formação Bruta de Capital Fixo crescendo 6,6%. No setor externo, tanto as Exportações (1,6%) quanto as Importações (9,0%) de Bens e Serviços apresentaram crescimento.
Apesar do crescimento geral, houve uma desaceleração em relação ao primeiro trimestre, quando o PIB cresceu 1,3%. Especialistas apontam que o setor de serviços, menos impactado pela alta dos juros, sustentou o ritmo da economia.
Os números reacendem o debate sobre a política monetária, com críticas de partidos de esquerda e entidades empresariais e sindicais. A CNI, por exemplo, considera insuficiente a manutenção da taxa Selic em 15%, argumentando que a alta do IOF sobre o crédito aumentará o custo para as indústrias.