A saúde suplementar brasileira enfrenta um cenário de incertezas, apesar de sinais de recuperação econômica. Desafios como judicialização, novas tecnologias e regulamentações complexas persistem, impactando o setor. Segundo Bruno Sobral, diretor executivo da FenaSaúde, a busca por previsibilidade é fundamental para impulsionar o desenvolvimento do mercado.
Para Sobral, a chave para um futuro mais estável reside na clareza das coberturas dos planos e nas regras de precificação. Ele defende que alinhar incentivos econômicos entre pacientes, operadoras e prestadores de serviços é essencial para uma oferta de saúde mais eficiente. Racionalidade no uso de recursos e flexibilização na oferta de serviços, em vez de regulação excessiva, são apontados como caminhos para o setor.
O diretor executivo da FenaSaúde destaca a importância de testar modelos inovadores no mundo real, como o sandbox regulatório, para avaliar o impacto de políticas públicas disruptivas. Ele também mencionou o pacote de mudanças propostas pela Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para os planos de saúde, enfatizando a necessidade de um debate técnico e pragmático sobre o tema.
Sobral aborda ainda a questão dos medicamentos e terapias inovadoras. Ele defende a unificação dos processos de regulação, avaliação e precificação dessas tecnologias, visando uma racionalidade econômica. A criação de uma única, com maior poder de negociação, surge como uma alternativa, embora não seja considerada uma solução definitiva.
Ao analisar o momento atual da saúde suplementar, Sobral reconhece os desafios, mas também as oportunidades. Ele ressalta que o crescimento do setor está intrinsecamente ligado à economia formal e aos planos coletivos, influenciados pelo emprego formal. A rentabilidade das operadoras, segundo ele, tem apresentado flutuações, com margens historicamente pequenas, o que torna o setor vulnerável a oscilações.
Para o futuro, Sobral defende um marco legal estável, com previsibilidade nas coberturas e regras de precificação. Ele enfatiza a importância de o país avançar no ganho de produtividade, para impulsionar o crescimento econômico e, consequentemente, o desenvolvimento da saúde suplementar.