O Sistema Cantareira finaliza o mês de agosto com um volume útil de pouco mais de 30%, o que indica que permanecerá na faixa de alerta em setembro. Essa situação resulta em restrições na retirada de água pela Sabesp. Durante agosto, o reservatório, que é o maior responsável pelo abastecimento da Grande São Paulo, perdeu aproximadamente 30 bilhões de litros.
Na faixa de alerta, a Sabesp tem permissão da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) para retirar até 27 metros cúbicos por segundo (m³/s), um volume abaixo da capacidade máxima. Além disso, há a possibilidade de vazão transposta da Usina Hidrelétrica Jaguari, que também contribui para o abastecimento do Rio de Janeiro, através da bacia do Rio Paraíba do Sul.
Com o final dos meses mais secos se aproximando e a entrada de outubro, espera-se que o ano hidrológico inicie com chuvas mais intensas. Assim, o Cantareira pode ter algumas semanas de estiagem antes de uma possível recuperação em seus níveis de armazenamento.
Entretanto, é importante destacar que, em termos gerais, o volume de chuvas no inverno não é suficiente para determinar o futuro do reservatório. As previsões já indicam que o volume de chuva nesta época do ano será baixo, e qualquer desvio em relação à média histórica terá um impacto menor comparado ao que ocorre durante os meses mais úmidos, entre janeiro e março.
A vazão natural, que representa a quantidade de água que chega às represas, é um indicador mais confiável da capacidade de recuperação dos mananciais. Neste ano, apenas em fevereiro, a quantidade de água que atingiu as represas foi ligeiramente superior à média histórica.
Mesmo com chuvas em junho que atingiram praticamente o dobro da média histórica, com 103 mm em comparação aos 55 mm esperados, a vazão natural ficou aquém do esperado, com valores de 24,25 m³/s, em relação a uma expectativa de 33,2 m³/s.