Após sete meses de mandato, marcados por promessas de amplas medidas e tarifas comerciais agressivas, o presidente dos Estados Unidos estabeleceu um padrão tarifário mínimo de 15% para todas as nações que desejam exportar para o país. Essa taxa geral exclui produtos que já estão sujeitos a tarifas de 10%.
O novo piso tarifário poderá ser ainda maior. Países que não se adequarem às exigências americanas, como anúncios de investimentos em solo dos EUA e concessões para empresas americanas em seus territórios, poderão enfrentar sanções que variam de 20% a 35%. Atualmente, o Brasil está sujeito a uma taxa geral de 50%.
A situação do Brasil é considerada singular. A falta de atenção dada ao segundo maior parceiro comercial após a reeleição de Trump, somada ao envolvimento da família Bolsonaro em questões não comerciais, contribuiu para o cenário desfavorável.
A consolidação do padrão de 15% ocorreu após um acordo entre os Estados Unidos e a União Europeia, que aceitou a tarifa comum, elevando a taxa média de 1,6% para 15% para os 22 países do bloco europeu. Em contrapartida, a UE prometeu investimentos e a compra de material bélico, diante da ameaça de Trump de retirar o apoio dos EUA na guerra da Ucrânia.
Essa mudança de postura é notável, já que até dezembro de 2024, os Estados Unidos forneciam bilhões de dólares em equipamentos à Ucrânia. Agora, Trump exige pagamento por esses mesmos equipamentos, transformando um parceiro em vendedor de material bélico.
Ainda em abril, a apresentação de uma lista de taxas por Trump gerou apreensão global, levando diversos países a buscarem as menores taxas possíveis. No entanto, o Brasil se limitou a enviar a embaixadora Maria Luiza Viotti à cerimônia de posse de Trump, em contraste com encontros anteriores de Lula com outros presidentes americanos.
Com o novo padrão estabelecido, o Brasil enfrenta tarifas mais de três vezes superiores à média, e aparentemente, o governo americano não demonstra interesse em negociar com o país. Há preocupação sobre a capacidade do Brasil de apresentar propostas consistentes em uma eventual negociação.
Enquanto países como Reino Unido, Vietnã, Filipinas, Indonésia, Japão e União Europeia fecharam acordos que incluem investimentos e acesso a mercados locais para empresas americanas, o Brasil ainda não formatou temas como terras raras e taxação das big techs para negociação.
A ausência de propostas concretas e o momento desfavorável, com o Congresso americano em recesso, dificultam a busca por uma negociação favorável. A esperança reside na possibilidade de encontrar ouvidos favoráveis para dialogar e reverter o cenário atual.