Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, Donald Trump, se reuniram neste domingo na Malásia para discutir a tensa relação entre os governos e as tarifas impostas sobre as exportações brasileiras.
Ambos os governos confirmaram a realização da conversa, que ocorreu em paralelo à Cúpula de Líderes da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático).
Questionado sobre a possibilidade de rever o tarifaço ainda neste domingo, Trump indicou que estavam abertos a “avançar rápido” na discussão.
O presidente dos Estados Unidos negou que as razões para aplicar as tarifas ao Brasil sejam injustas, como alega o governo brasileiro. “Não, acho que tudo é justo. Temos muito respeito pelo seu presidente e pelo Brasil. Provavelmente faremos alguns acordos”, afirmou Trump. “Eles podem oferecer muita coisa, e nós podemos oferecer muita coisa.”
“É uma grande honra estar com o presidente do Brasil. É um país grande e bonito e vai muito bem. Acho que seremos capazes de fazer alguns bons acordos para os dois países. Vou deixar isso para Jamieson, Scott e Marco”, disse Trump, acrescentando: “Vamos acabar tendo uma relação muito boa, sempre tivemos.”
Ao ser questionado sobre as condições para reduzir as tarifas ao Brasil, Trump respondeu: “Vamos discutir por um tempo e provavelmente chegaremos a uma conclusão muito rapidamente”.
Ele descartou o interesse em abordar a crise na Venezuela, a menos que o presidente Lula desejasse incluir o tema na pauta. Sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, Trump comentou apenas que “sempre gostou dele” e lamentou a condenação por golpe de Estado.
Questionado sobre a relação do Brasil com a China, principal parceiro comercial do país e rival dos EUA, Trump respondeu que se reunirá com representantes chineses posteriormente. “Acho que teremos um acordo com a China. Vou me reunir com o presidente Xi na Coreia do Sul. Eles querem fazer um acordo e nós queremos fazer um acordo”.
Lula afirmou que tinha uma pauta por escrito para entregar a Trump, mostrando a pasta e informando que deixaria uma cópia com o presidente americano.
A conversa com jornalistas ocorreu antes do início da discussão formal entre os presidentes. Lula pediu que a imprensa se retirasse da sala, para otimizar o tempo de negociação. Trump concordou, criticando as perguntas como “entediantes”.
“A imprensa vai ter boas notícias assim que acabar a reunião. Antes, são só suposições. O Brasil tem interesse em ter uma relação extraordinária com os EUA, como temos há 201 anos. Não há nenhuma razão para desavença entre Brasil e EUA”, declarou o presidente brasileiro.
“Quando dois presidentes sentam na mesa, cada um coloca os seus problemas, a tendência natural é encaminhar para um acordo. Antes de vir aqui eu disse que estava muito otimista com a possibilidade para avançarmos para ter uma relação mais civilizada com os EUA e pretendemos manter”, concluiu Lula.
Participaram da reunião, além dos presidentes, assessores diretos e intérpretes. Após o encontro, o ministro das Relações Exteriores deverá se pronunciar sobre a conversa.
Trump estava acompanhado de Marco Rubio, Scott Bessent e Jamieson Greer. Com Lula, participaram o ministro Mauro Vieira, o embaixador Audo Faleiro e o secretário-executivo Márcio Elias Rosa.
Antes da conversa, Trump chegou a mencionar a possibilidade de reduzir a tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras, sob certas condições. Lula ponderou que um acordo amplo talvez não fosse alcançado de imediato.