O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, questionou o discurso de protecionismo direcionado ao Brasil, contrapondo-o com as políticas praticadas pelos Estados Unidos. Em declaração, Haddad afirmou que o país que se apresenta como o mais liberal do mundo adota, atualmente, medidas protecionistas com tarifas elevadas.
O ministro argumenta que o Brasil tem seguido um caminho oposto, reduzindo suas alíquotas efetivas nas últimas três décadas e buscando parcerias comerciais. Segundo Haddad, o cenário global demanda uma visão de colaboração entre as nações.
Haddad ressaltou a busca ativa do Brasil por acordos comerciais, tanto com grandes blocos econômicos quanto por meio de negociações bilaterais. Ele mencionou a necessidade de disposição mútua para avançar em tratativas com os Estados Unidos, enfatizando que o Brasil mantém canais de comunicação abertos para negociações.
O ministro relacionou as tarifas impostas pelos EUA à polarização política interna no Brasil, defendendo a necessidade de superação de divergências internas. Ele também comentou sobre a importância da credibilidade da oposição para o desenvolvimento de relações bilaterais.
Haddad mencionou a relação do ministério da Fazenda com diferentes governos e a importância de manter relações construtivas mesmo em meio a mudanças de liderança nos Estados Unidos, como a transição entre os governos de Joe Biden e Donald Trump.
O ministro revelou ter realizado uma reunião considerada “excelente” com o Secretário de Tesouro dos EUA, Scott Bessent, em maio, e expressou surpresa com o cancelamento de um encontro agendado para a semana passada, sugerindo que se pergunte a Bessent os motivos para a mudança de planos.
Haddad mencionou a dificuldade de compreensão da situação política brasileira, referindo-se ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele destacou a similaridade entre a composição do Supremo Tribunal Federal (STF) que julgou o ex-presidente Lula em 2018 e a atual, incluindo a presença de ministros nomeados pelo presidente anterior.
O ministro concluiu destacando que governos considerados “duros” enfrentam maiores desafios na negociação, especialmente quando a outra parte não adota a mesma postura.