A proposta de redução da jornada semanal de trabalho para 40 horas, que incluiria o fim da escala 6×1, pode demandar do Brasil um aumento na produtividade que levará entre 17 e 30 anos para ser alcançado. Essa conclusão é parte de uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), e divulgada nesta segunda-feira (31).
O estudo considera um cenário onde as empresas mantêm os empregos e salários, sem realizar cortes. Para compensar a diminuição de 7,8% nas horas trabalhadas, a eficiência por hora precisa crescer entre 8,3% e 8,5%. Contudo, o histórico de crescimento da produtividade no Brasil é preocupante, com uma média de apenas 0,5% ao ano entre 1981 e 2024, índice que caiu para 0,28% nos últimos seis anos.
Ricardo Alban, presidente da CNI, destaca que a produtividade é essencial para a competitividade de um país. Para ele, a capacidade de produzir mais e gerar valor com os recursos disponíveis depende diretamente do aumento da eficiência. Alban enfatiza que a redução da jornada de trabalho não deve ser analisada de forma isolada, pois o desempenho do Brasil indica que o tempo de trabalho só pode ser reduzido se houver condições que propiciem a elevação da eficiência econômica.
O estudo também revela que o impacto da redução da jornada será desigual entre os setores. Por exemplo, a agropecuária e o comércio necessitariam de aumentos de produtividade de até 13,6% e 10,6%, respectivamente. Já na indústria extrativa, o avanço exigido seria de 10,4%, enquanto na de transformação, de 9,3%.
Em simulações adicionais, o relatório aponta que a adaptação do mercado de trabalho pode ter consequências drásticas. Caso as empresas optem por demitir funcionários que excedam o novo limite de horas, o número de empregos formais pode cair de 41 milhões para 18,9 milhões. Em um cenário onde trabalhadores atuais são substituídos por novos com salários menores, a massa salarial poderia ser reduzida entre R$ 4,3 bilhões e R$ 7,3 bilhões por mês.
Alban alerta que qualquer redução de jornada imposta por lei terá efeitos negativos sobre o emprego, salários e produção. Em todas as simulações realizadas, os trabalhadores são afetados, o que pode resultar em custos mais altos por hora e exigências imediatas de ganho de produtividade, além de demissões ou substituições com redução salarial para aqueles que permanecerem.