A Fundação Bauhaus, localizada em Saxônia-Anhalt, enfrenta um cenário desafiador com a ascensão da extrema direita na ALEMANHA, onde as eleições estaduais do próximo domingo (6) podem resultar na eleição de um governo inédito desde a Segunda Guerra Mundial. A Alternativa para a ALEMANHA (AfD) considera a Bauhaus, escola de arquitetura e design fundada em 1919 por Walter Gropius, como um "caminho errado" e um "desvio histórico" que deve ser revisto. Para o partido, a escola não é suficientemente representativa da cultura alemã, e sua eliminação ajudaria a restaurar a identidade original do país, que, segundo eles, é negada por um suposto excesso de culpa histórica.
O programa da AfD inclui propostas concretas para rever a política cultural caso vença as eleições estaduais de 2026. A Bauhaus, que influenciou a arquitetura moderna e foi lar de artistas renomados como Wassily Kandinski, Marcel Breuer e Paul Klee, já enfrentou tentativas de cancelamento no passado. Durante a ascensão do nazismo, a escola foi forçada a fechar suas portas em 1933, pouco após Adolf Hitler assumir o poder, que preferia um estilo arquitetônico monumental e neoclássico, em oposição ao design racional e inovador promovido pela Bauhaus.
Atualmente, o edifício icônico da escola em Dessau, com a sua assinatura vertical, é um importante ponto turístico na região. A AfD se opõe à campanha #moderndenken (pensar moderno), que visa promover a relevância da Bauhaus, lançando uma contraproposta com o slogan #deustchdenken (pensar alemão). Essa divergência reflete uma batalha cultural mais ampla, onde a extrema direita busca resgatar uma visão nacionalista da história.
O clima político é marcado pela presença de Ulrich Siegmund, um dos candidatos da AfD ao governo, que tem se apresentado com uma motoneta Simson azul de 1975, uma referência à ALEMANHA Oriental. Essa estratégia parece ignorar a própria natureza contraditória da legenda, que critica a Bauhaus como um símbolo de uma ditadura, enquanto se apropria de elementos do passado que também remetem a regimes totalitários.
O debate sobre a Bauhaus e seu legado cultural ganhou destaque com a adesão de figuras proeminentes da cultura alemã, como a atriz Sandra Hüller, conhecida por seus papéis em "Anatomia de Uma Queda" e "Zona de Interesse". Recentemente, o grupo Kraftwerk se apresentou no pátio da escola, fazendo uma conexão entre a Bauhaus e a música eletrônica, ao que Ralf Hütter, cofundador do grupo, descreveu como uma "Bauhaus, mas com sons eletrônicos". Essa interseção entre arte e política continua a ressoar em um momento crítico para a identidade cultural da ALEMANHA contemporânea.