Professores de escolas particulares do Município do Rio de Janeiro e Região paralisaram suas atividades por 24 horas, em uma greve que foi aprovada em assembleia do Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro e Região (Sinpro-Rio), realizada no último sábado (29). A decisão veio após diversas rodadas de negociação que não resultaram em acordo.
Entre as principais reivindicações dos professores estão o pagamento da hora-atividade, que se refere ao trabalho realizado fora da sala de aula em atividades pedagógicas, a gratificação pelo aprimoramento acadêmico, a equiparação salarial entre os profissionais da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio, além de um reajuste salarial de pelo menos 5,5%.
Fábio Conde, diretor jurídico do Sinpro-Rio, destacou a defasagem salarial dos profissionais, especialmente após o aumento das demandas de trabalho fora das salas de aula, que se intensificou durante a pandemia. Ele mencionou que os professores estão enfrentando um aumento significativo nas horas dedicadas ao trabalho virtual e à adaptação de materiais, sem a devida compensação financeira.
"A gente vem solicitando que o patronato aceite que a gente inclua uma cláusula para remuneração por essa hora-atividade fora de sala de aula, porque o professor tem trabalhado demais sem receber nada", afirmou Conde. Ele também enfatizou a carga de trabalho excessiva enfrentada pelos docentes, que, segundo ele, estão na chamada escala 7 por 0, ou seja, trabalhando todos os dias sem intervalos, enfrentando uma série de tarefas, como correção de trabalhos e preparação de aulas.
A situação de saúde mental dos professores também foi abordada, com Conde ressaltando que um número significativo deles está se afastando por questões relacionadas ao estresse e à sobrecarga de trabalho. Ele alertou que a quantidade de afastamentos por problemas mentais está crescendo.
A Agência Brasil tentou contato com o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Rio de Janeiro (SinepeRio) para obter uma posição sobre a greve, mas a entidade optou por não se manifestar no momento.