A ministra Cármen Lúcia ainda não definiu como irá votar em relação aos processos que colocam Alexandre de Moraes e André Mendonça em lados opostos no Supremo Tribunal Federal (STF). Ela identificou problemas nas atuações de ambos e espera examinar os autos antes de tomar uma decisão. O voto da ministra é considerado crucial, uma vez que o STF terá que avaliar a condução de Mendonça nas investigações do Banco Master e do INSS, assim como a reação de Moraes, que acionou o inquérito das fake news, de 2019, para solicitar uma apuração contra Mendonça.
A atuação de Mendonça resultou na retirada do sigilo de um relatório da Polícia Federal, que contém mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Moraes. Nesse material, Vorcaro questiona Moraes sobre a necessidade de deixar o Brasil pouco antes de ser preso. Após a divulgação dessas informações, Cármen Lúcia fez uma ligação para Moraes na quinta-feira (3), que, segundo um auxiliar do ministro, interpretou o gesto como um sinal de apoio, embora a ministra não tenha indicado que votaria a favor dele.
A reação de Moraes a Mendonça surpreendeu Cármen, que ficou perplexa com o desenrolar do conflito e o desgaste que isso gerou no STF. Nos bastidores, a disputa pelo voto da ministra já começou, com especulações no meio jurídico sobre qual dos dois ministros ela acabará apoiando. Apesar das pressões, Cármen afirmou que não pretende escolher um lado baseado em afinidades e que continuará a analisar os autos antes de tomar qualquer decisão, sem ter tido acesso a todo o material até o momento.
Atualmente, Moraes conta com o apoio de Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin, enquanto Mendonça é respaldado por Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e Edson Fachin. Dias Toffoli, por sua vez, se declarou suspeito nos processos relacionados ao Banco Master e, portanto, não participará das deliberações. Ambos os lados acreditam que Cármen pode decidir a seu favor, com Aliados de Mendonça argumentando que a ministra tenderá a sustentar a necessidade de uma investigação sobre possíveis crimes comuns, enquanto as acusações contra Mendonça se referem a sua condução do processo.
Mendonça encaminhou o relatório da PF à PGR e comunicou Edson Fachin para que o conteúdo fosse levado ao plenário. Em resposta, Moraes solicitou a investigação de Mendonça e passou a atuar contra ele, o que gerou a impressão de um confronto direto entre os ministros. Esse cenário reforçou a ideia de que os episódios devem ser tratados com a mesma seriedade.
Cármen Lúcia já teve uma relação próxima com ambos os ministros em diferentes momentos. Por exemplo, ela apoia Mendonça na discussão sobre um código de conduta para o STF, sendo a relatora da proposta, mas acompanhou Moraes em todos os votos na ação penal relacionada aos acontecimentos de 8 de janeiro. Interlocutores destacam que Cármen não está ligada automaticamente a nenhum dos dois grupos e que sua tendência é decidir com base na interpretação da lei e nos elementos apresentados nos processos.