A inadimplência no setor bancário brasileiro registrou um aumento significativo no segundo trimestre de 2026, afetando de maneira mais intensa o Banco do Brasil. A instituição está enfrentando uma deterioração na qualidade de sua carteira de crédito, com destaque para o agronegócio, embora outros setores também estejam apresentando deterioração mais pronunciada.
No segundo trimestre de 2026, a inadimplência acima de 90 dias alcançou 5,6%, um aumento em relação aos 4% registrados no mesmo período do ano anterior. No setor de agronegócio, a taxa subiu de 3,2% para 6,3% em um ano, evidenciando a pressão que essa área está exercendo sobre os resultados do banco.
As pessoas físicas também estão enfrentando um aumento nas dívidas, com a inadimplência acima de 90 dias passando de 6,8% no primeiro trimestre para 8,4% no segundo trimestre de 2026. Há um ano, esse indicador era de 5,6%, o que demonstra uma preocupação crescente em relação ao endividamento dos consumidores.
Fernando Benavenuto, especialista em investimentos e sócio da Anvex CAPITAL, destacou que a evolução da inadimplência é um dos pontos mais relevantes do último balanço do Banco do Brasil. Ele observou que, embora o estresse inicial tenha origem no agronegócio, a deterioração se espalhou para as contas das pessoas físicas, especialmente no que diz respeito ao uso de cartões de crédito. Para Benavenuto, a situação atual requer atenção, pois a normalização da carteira de crédito dependerá do ciclo macroeconômico.
O Citi revisou suas projeções de lucro para o Banco do Brasil, reduzindo a estimativa para 2027 de R$ 18 bilhões para R$ 16,6 bilhões após os resultados do segundo trimestre. A XP, por sua vez, avaliou que o banco apresentou um desempenho acima do esperado, mas destacou que as tendências de crédito continuam desafiadoras. O Safra comentou que a melhora nos lucros não é suficiente para indicar uma recuperação sustentável no longo prazo.
No segundo trimestre de 2026, o Banco do Brasil reportou um lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões, representando um crescimento de 3,3% em comparação ao mesmo período de 2025 e um aumento de 13,9% em relação ao primeiro trimestre deste ano. Contudo, as incertezas eleitorais estão exacerbando a situação, impactando a Bolsa e especialmente os papéis relacionados ao governo.