O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, iniciou conversas com ministros da Corte esta semana para abordar a crise que afeta o tribunal. As reuniões estão programadas para os próximos dias, mas ainda não está claro se Fachin optará por encontros em grupo ou conversas individuais com os colegas.
Fontes próximas a Fachin indicam que ele deseja tomar uma decisão sobre a situação de Alexandre de Moraes, cuja atuação tem gerado polêmicas. No entanto, ele foi alertado de que qualquer medida dependerá do consenso entre os integrantes do STF. Por exemplo, uma proposta para que Moraes se afastasse temporariamente enquanto o caso é analisado poderia exigir reciprocidade em relação a André Mendonça, que é o relator do caso.
A tensão entre os ministros é palpável, especialmente considerando que Moraes e Mendonça, que já protagonizaram um confronto que quase se tornou físico, ocupam lugares adjacentes no plenário, conforme a ordem de antiguidade. A possibilidade de Fachin convocar uma reunião do plenário para discutir a crise é vista como uma situação delicada. Um ministro resumiu a situação ao afirmar que, se a reunião ocorrer, “começa, mas não termina”.
Outra alternativa que vem sendo considerada é a discussão do assunto em um plenário virtual, onde os ministros podem apresentar seus votos de forma eletrônica, evitando a necessidade de um encontro presencial.
As manifestações do dia 7 de Setembro eram inicialmente vistas como um fator de pressão sobre os ministros do STF, caso conseguissem reunir um grande número de pessoas sem ligação partidária. Contudo, a direita acabou se apropriando do discurso contra a Corte, o que diminuiu a pressão sobre os integrantes do tribunal. A análise é que, se a insatisfação com o STF tivesse sido uma agenda mais abrangente do eleitorado, a situação poderia ser diferente.
A crise se intensificou após a revelação de que Mendonça havia solicitado à Polícia Federal a identificação do interlocutor de Daniel Vorcaro em mensagens encontradas no celular do banqueiro. A PF confirmou que o interlocutor era Moraes, o que levou o ministro a questionar a condução das investigações pelo relator. Nos diálogos, Vorcaro pede a Moraes “proteção” do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. As respostas de Moraes, no entanto, não constam no relatório, pois foram enviadas em modo de visualização única.