Um Relatório da Polícia Federal aponta que as nomeações realizadas pelo ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, no Rioprevidência ocorreram antes de aportes financeiros do fundo de aposentadorias e pensões no Banco Master. As informações sobre a investigação foram divulgadas após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, ter determinado a liberação de documentos que estavam sob sigilo.
Entre julho e outubro de 2023, Castro efetivou três nomeações no Rioprevência: Deivis Marcon Antunes como diretor-presidente, Euchério Lerner Rodrigues como diretor de Investimentos e Pedro Pinheiro Guerra Leal como gerente de Investimentos. A Polícia Federal destaca que a nomeação de Euchério Rodrigues ocorreu em 4 de outubro de 2023, data em que o Banco Master enviou um e-mail ao Rioprevidência solicitando o credenciamento, um passo necessário para receber os investimentos do fundo.
No mesmo dia, Pedro Leal iniciou um procedimento para avaliar o pedido de credenciamento. Doze dias após o envio do e-mail, Leal comunicou à gerência interna do Rioprevidência que o Banco Master atendia aos requisitos exigidos. De acordo com as investigações, Deivis Antunes era considerado o responsável por garantir que tanto Euchério Rodrigues quanto Pedro Leal pudessem aplicar os recursos previdenciários de maneira irregular, sob a influência de uma organização criminosa.
A Polícia Federal afirma que as nomeações tiveram a intenção de facilitar a prática de gestão fraudulenta, uma vez que os três ocupavam cargos decisivos em relação ao credenciamento do Banco Master, à análise dos investimentos e à definição das aplicações do Rioprevidência. O relatório menciona que as decisões tomadas por esses gestores eram contrárias à Política de Investimentos que vinha sendo adotada pelo fundo.
Historicamente, o Rioprevidência sempre priorizou aplicações em renda fixa ou de baixo risco, buscando manter o equilíbrio atuarial. Contudo, a PF indica que a dinâmica de investimento em Letras Financeiras foi realizada com diversas irregularidades, em desacordo com as diretrizes estabelecidas.
O Poder360 tentou entrar em contato com a assessoria do ex-governador Cláudio Castro para obter um posicionamento a respeito das investigações, mas não obteve resposta antes da publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja recebida posteriormente.