O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou a possibilidade de impor novas tarifas à União Europeia se considerar hostil a proposta que visa tornar o Canadá o primeiro "membro associado" do bloco europeu. Essa sugestão foi feita pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em um discurso realizado na quarta-feira (16).
Trump destacou que a resposta de Washington dependerá das intenções da União Europeia ao aprofundar a relação com Ottawa. Ele afirmou que, se a medida for vista como prejudicial aos interesses dos Estados Unidos, tarifas elevadas poderão ser aplicadas ou o comércio com a União Europeia poderá ser restringido. "Se for uma boa intenção, tudo bem. Se for uma má intenção, colocaremos tarifas muito pesadas sobre a Europa", declarou o presidente americano.
O presidente também criticou a possibilidade de o Canadá assumir esse novo status, considerando-a "ridícula" e reprovando a atual relação comercial entre os dois países. Desde o retorno de Trump à Casa Branca, Estados Unidos e Canadá têm enfrentado diversas disputas tarifárias.
A proposta de Ursula von der Leyen não implica que o Canadá esteja prestes a se tornar um membro pleno da União Europeia, como os 27 países atualmente integrantes do bloco. O conceito de "membro associado" ainda carece de definição jurídica dentro da UE e requer discussões adicionais para esclarecer quais direitos e compromissos estariam envolvidos na nova relação.
A ideia foi apresentada durante o discurso anual sobre o Estado da União Europeia, realizado em Estrasburgo, com a presença do primeiro-ministro canadense, Mark Carney. O objetivo é elevar a parceria entre o Canadá e a União Europeia a um novo nível, embora essa proposta surja em um contexto de tensões comerciais entre Bruxelas, Ottawa e Washington.
Mark Carney recebeu a proposta de aprofundamento das relações com a União Europeia de forma positiva. O gabinete do primeiro-ministro informou que o Canadá e a UE estão explorando maneiras de aumentar a autonomia estratégica e reduzir vulnerabilidades em setores considerados cruciais. Carney tem defendido também a diversificação das relações econômicas do Canadá, dada a significativa dependência do mercado americano, que atualmente absorve cerca de 70% das exportações canadenses.