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Pesquisa revela que medicamento para epilepsia pode inibir tumor cerebral em crianças

Um estudo inédito aponta que o levetiracetam, usado para tratar epilepsia, pode reduzir o crescimento de gliomas difusos da linha média em crianças. Os...

Um estudo recente sugere que o levetiracetam, um medicamento já utilizado no tratamento de convulsões, pode ser eficaz na contenção de um tipo raro e agressivo de tumor cerebral em crianças. Publicada na revista Nature Medicine, a pesquisa revela que o fármaco está associado à diminuição do crescimento de gliomas difusos da linha média, que são notoriamente difíceis de tratar.

Anualmente, Nos Estados Unidos, cerca de 300 a 400 crianças são diagnosticadas com esses tumores, que afetam áreas críticas do cérebro e da medula espinhal. A taxa de sobrevida em cinco anos para os afetados gira em torno de apenas 1%, o que ressalta a gravidade da condição.

Os pesquisadores descobriram que o levetiracetam interfere na comunicação elétrica entre células tumorais e neurônios saudáveis. Essa interação é fundamental para o tumor sustentar seu crescimento. Dados coletados de prontuários de 218 pacientes pediátricos indicaram que as crianças que receberam o medicamento apresentaram uma expectativa de vida média superior àquelas que não utilizaram a substância.

O funcionamento do levetiracetam ocorre devido à sua capacidade de bloquear a transmissão de sinais elétricos entre as células nervosas e as células tumorais. Esses sinais, que são transmitidos por meio de sinapses, são essenciais para o crescimento do glioma. Ao interromper essa sinalização, o medicamento consegue desacelerar a multiplicação das células malignas.

Experimentos realizados com camundongos reforçaram esses achados, mostrando que, após o uso do levetiracetam, o crescimento das células tumorais foi significativamente reduzido. Contudo, os pesquisadores ressaltam que o efeito do medicamento não foi observado em outros tipos de tumores cerebrais, indicando uma especificidade na ação do fármaco.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) destaca que o câncer é uma das principais preocupações de saúde pública no mundo, representando uma das quatro principais causas de morte antes dos 70 anos em muitos países. Diante disso, a identificação precoce da doença é crucial para aumentar as chances de recuperação dos pacientes.

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