O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, comunicou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, que impediu a Polícia Federal (PF) de prosseguir com investigações contra o Ministro André Mendonça. O inquérito em questão investiga possíveis fraudes na concessão de cemitérios na cidade de São Paulo, e Dino argumentou que qualquer apuração envolvendo um ministro do STF deve ser conduzida exclusivamente pelo presidente da Corte.
Na decisão, Flávio Dino menciona uma reportagem do UOL que aponta o interesse do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, em ações relacionadas a créditos de concessionárias e crematórios em São Paulo. As empresas associadas a Vorcaro estariam envolvidas em processos judiciais que totalizam 78 milhões. Dino também destaca que o empresário possuía créditos garantidos em sua reunião com o ministro Mendonça no STF.
O gabinete de André Mendonça já havia esclarecido que a única audiência com Vorcaro ocorreu em março de 2025, onde o assunto principal foi um precatório de grande valor em benefício do banco. Durante essa audiência, foi apresentado um memorial que defendia a posição de Mendonça, que se posicionou contra a concessão dos precatórios.
Flávio Dino atualmente é relator de uma ação que questiona a legalidade de normas da Prefeitura de São Paulo que permitem a concessão de cemitérios à iniciativa privada. No âmbito dessa investigação, a PF busca apurar possíveis indícios de crimes relacionados às empresas que estão sob controle do grupo econômico de Vorcaro.
A investigação revelou um possível envolvimento da concessionária Cortel, onde Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, atuava como conselheiro. Além disso, a PF investiga a participação das empresas de Vorcaro no grupo Maya, que é responsável pela concessão de cemitérios e pelo crematório em São Paulo.
Dino destaca que os elementos reunidos aumentam as suspeitas sobre a conexão entre o conglomerado econômico do Banco Master e a concessionária de cemitério, que está sob a análise da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1196. A PF está examinando indícios de fraudes na cobrança por sepultamentos nas unidades vinculadas às empresas de Vorcaro.