Estudos apontam que a taxa de analfabetismo entre jovens e adultos com deficiência no Brasil é, em média, 12 vezes maior do que a observada entre aqueles sem deficiência. Essa realidade é destacada pela pesquisadora do IBGE, Luanda Botelho, que explica que a desigualdade não se limita apenas à questão geracional, mas abrange diferentes aspectos da educação e da inclusão.
Entre as pessoas com dificuldades específicas, as taxas de analfabetismo variam conforme o tipo de deficiência. Para aqueles com alguma dificuldade de enxergar, a taxa é de 3,5%, enquanto para os que têm dificuldade auditiva, o índice chega a 10%. Já entre os indivíduos que enfrentam dificuldades motoras, a taxa é de 23,3%, e para aqueles que têm dificuldade em pegar objetos pequenos, o analfabetismo atinge 31,3%.
Além das altas taxas de analfabetismo, a frequência escolar é inferior entre os jovens com deficiência. Dados mostram que apenas 92,6% das crianças de 6 a 14 anos com deficiência estão na escola, em comparação a 98,4% entre as crianças sem deficiência. No grupo de jovens entre 15 e 17 anos, a frequência é de 79,5% para os com deficiência, enquanto para os sem deficiência, o índice é de 85,4%.
Os alunos com deficiência profunda, que não conseguem escutar, ouvir, pegar objetos ou caminhar, são os que apresentam os menores índices de inclusão no sistema educacional. Neste grupo específico, a frequência escolar é alarmantemente baixa, com apenas 78,5% dos jovens frequentando a escola.
A pesquisa também revela disparidades nas condições das escolas. Enquanto 64,4% das instituições privadas possuem banheiros acessíveis, esse número cai para 54,8% nas escolas públicas. No entanto, a rede pública se destaca na oferta de profissionais de apoio, com 32,8% das escolas disponibilizando esse serviço, em contraste com apenas 4,6% nas escolas privadas.
Outro aspecto importante é a presença de salas de recursos multifuncionais, que são essenciais para o atendimento educacional especializado. Essas salas estão disponíveis em 34,5% das escolas públicas, enquanto apenas 15,2% das instituições privadas oferecem essa estrutura.