A economia brasileira se vê novamente diante de um cenário em que a racionalidade fiscal é deixada de lado em prol de compromissos eleitorais. No ano de 2026, o governo implementou um conjunto de medidas que resultaram em um gasto colossal de R$ 280 bilhões, uma fatura que se acumula em meio a um calendário eleitoral decisivo.
Desde o início do ano, a administração atual tem promovido uma série de políticas de estímulo econômico, que incluem a liberação de crédito através de programas como o Desenrola 2.0, que contou com R$ 23 bilhões, e o Consignado CLT, que recebeu R$ 28 bilhões. Além disso, a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil gerou um impacto estrutural de R$ 33 bilhões nas contas públicas.
Os subsídios ao diesel, que custaram R$ 16 bilhões, e o programa Gás Grátis, com um investimento de R$ 5 bilhões, contribuíram ainda mais para o aumento das despesas. O segundo trimestre de 2026 não trouxe alívio, pelo contrário, as iniciativas populistas se intensificaram com pacotes significativos como o Move Brasil, que recebeu R$ 30 bilhões, e incentivos para o Move Caminhões e Move Agrícola, que somaram R$ 21 bilhões e R$ 14 bilhões, respectivamente.
A política de injeção de recursos estatais foi revitalizada com a criação do BNDES Soberano, que alocou R$ 22 bilhões, enquanto a reversão de determinadas taxas representou uma economia de R$ 4 bilhões. Na esfera da habitação e infraestrutura, os programas Luz do Povo e Minha Casa Minha Vida, voltados para as faixas 3 e 4, somaram R$ 4,5 bilhões e R$ 8 bilhões, além da implementação do Reforma Casa e do Novo Modelo Crédito Imobiliário, que totalizou R$ 40 bilhões.
À medida que se aproxima o primeiro turno das eleições, em setembro, o governo adota medidas ainda mais drásticas: a intervenção no mercado de combustíveis estabelece um preço de R$ 1 por litro para o diesel, resultando em um gasto mensal de R$ 5 bilhões, totalizando R$ 20 bilhões em quatro meses. A desoneração da gasolina, que custa R$ 2 bilhões por mês, representa mais R$ 8 bilhões em quatro meses.
Essas decisões, que buscam garantir apoio eleitoral, apresentam sérias consequências. O aumento do gasto público, sem o correspondente crescimento na arrecadação, eleva o risco fiscal e dificulta a redução da taxa de juros de forma sustentável. Juros altos encarecem o crédito para o setor produtivo, resultando no chamado efeito crowding out, onde o endividamento do Estado compromete a poupança destinada a investimentos privados.