A advogada Rogéria Dotti, que dirige o Instituto Brasileiro de Direito Processual e preside a Comissão do Código de Processo Civil da OAB Nacional, enfatizou a importância de uma reforma no Poder Judiciário para restaurar a credibilidade do Supremo Tribunal Federal. Sua declaração ocorreu durante a participação no PoderDataCast na quinta-feira, 17 de setembro de 2026. Dotti destacou que as decisões jurídicas não devem estar sujeitas ao calendário político ou eleitoral, afirmando que "o Supremo perde credibilidade quando se torna um órgão muito mais político do que jurídico".
O advogado Cássio Leite, especialista em direito eleitoral pelo IDP, também manifestou a necessidade de mudanças na atuação do STF. Ele defendeu que a Corte deveria se concentrar mais em suas funções constitucionais, reduzir suas competências e adotar uma postura de autocontenção em relação a questões políticas. "O Supremo deveria realizar primeiro um processo de autocontenção e se envolver menos com a política", comentou.
Durante a conversa no podcast, os advogados revisitaram a sessão do STF realizada em 15 de setembro, que foi marcada por intensos debates entre os MINISTROS e pelo pedido de vista de Flávio Dino, que interrompeu a análise de uma questão de ordem relacionada à possível abertura de investigação sobre Alexandre de Moraes. Dotti observou que esse pedido de vista, que pode se estender por até 90 dias, ilustra o risco de uma aproximação excessiva entre os âmbitos jurídico e político.
A advogada ressaltou ainda que, em situações que exigem investigação, as decisões devem ser tomadas de forma independente do contexto eleitoral do país. A seu ver, a sessão não apresentou dúvidas relevantes quanto à questão de ordem levantada por Gilmar Mendes, embora o pedido de vista seja um direito regimental.
Leite complementou que o adiamento da decisão reflete as dificuldades do sistema jurídico em lidar com conflitos que envolvem membros da própria Corte. Ele também relacionou o protagonismo do STF ao desgaste da imagem da instituição, que tem sido amplamente discutido na sociedade.
Dotti e Leite abordaram a percepção pública sobre os MINISTROS, revelando que 57% dos entrevistados desaprovam a atuação do STF, enquanto apenas 33% a aprovam. No caso de André Mendonça, 50% dos que afirmam conhecê-lo aprovam seu trabalho, enquanto 36% desaprovam.