O prazo estipulado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, para que o ministro André Mendonça se manifeste sobre as acusações de abuso de autoridade levantadas por Alexandre de Moraes termina nesta segunda-feira, 21 de setembro de 2026.
As suspeitas foram comunicadas por Moraes a Fachin em 3 de setembro, onde ele apresentou fatos que, segundo sua análise, indicam que Mendonça teria cometido atos que podem ser considerados improbidade administrativa, crime de responsabilidade e abuso de autoridade. O pedido de investigação foi feito após Mendonça divulgar parcialmente informações relacionadas ao Banco Master em 1º de setembro.
A Polícia Federal informou que foram encontradas 52 mensagens enviadas por Daniel Vorcaro a Moraes, armazenadas no bloco de notas do celular do banqueiro, sem registros de respostas. A solicitação de investigação de Moraes contra Mendonça faz parte do inquérito das fake news, que foi iniciado em 2019 e permanece inconclusivo.
Moraes alega que Mendonça estaria direcionando investigações contra ministros do STF. Para embasar suas alegações, Moraes apresentou relatórios de inteligência da Polícia Federal, que, conforme indicado no próprio documento, são descritos como uma análise de cenário sem valor probatório.
Após a apresentação do pedido, Fachin determinou que o documento de Moraes fosse retirado do inquérito das fake news e anexado a uma petição separada sob a Presidência do STF. Em seguida, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, teve um prazo de cinco dias úteis para se manifestar sobre a solicitação de Moraes. Mendonça também recebeu um prazo de cinco dias úteis para apresentar sua defesa. Concluída essa fase, os autos devem retornar à Presidência do STF para análise, independentemente de haver ou não manifestação.
O término do prazo ocorre quase uma semana após uma reunião do plenário do STF, onde se discutiu a abertura de uma investigação contra Moraes em razão de conversas suspeitas com Vorcaro. O assunto, no entanto, não foi debatido em profundidade. A sessão foi marcada por discussões acaloradas entre os ministros, culminando em ofensas mútuas. Ao final, o ministro Flávio Dino solicitou vista, o que pode atrasar as deliberações por até 90 dias.