O envelhecimento é um fenômeno natural, mas a alimentação pode influenciar a sua velocidade. A nutricionista Juliana Andrade alerta que alguns alimentos, quando consumidos em excesso, podem fazer com que os efeitos do tempo apareçam mais cedo. Os principais vilões nesse processo são o açúcar, a gordura trans, os alimentos ultraprocessados e o álcool.
Juliana Andrade explica que esses alimentos desencadeiam um processo conhecido como glicação, que ocorre quando o açúcar presente no sangue se combina com proteínas como o colágeno e a elastina, fundamentais para a firmeza e elasticidade da pele. Essa interação resulta na formação de compostos denominados AGEs, sigla em inglês para produtos finais de glicação avançada.
Com a glicação, o colágeno se torna rígido e frágil, o que impede sua renovação adequada. As consequências visíveis desse processo incluem o surgimento precoce de rugas, flacidez e a perda de elasticidade da pele. A nutricionista usa a analogia da caramelização do açúcar para descrever a irreversibilidade desse processo: assim como o açúcar não retorna à sua forma original após caramelizado, o colágeno afetado também não pode ser restaurado.
Embora o açúcar seja o principal responsável, Juliana enfatiza que não é o único culpado. A dieta moderna, que frequentemente é rica em açúcar refinado, carboidratos processados e alimentos ultraprocessados, cria um ambiente propício para a formação de AGEs, acelerando o processo de envelhecimento.
Além do açúcar, a gordura trans, presente em produtos como margarinas, salgadinhos e fast-food, é considerada altamente inflamatória e tem sido associada a danos celulares. Por sua vez, as carnes processadas, como salsichas e bacon, combinam gordura saturada e conservantes, também contribuindo para o envelhecimento.
O álcool, quando consumido em excesso, causa estresse oxidativo, desidrata os tecidos e prejudica o sono, que é crucial para a recuperação celular. Dietas que são ricas em ultraprocessados e pobres em fibras e antioxidantes alimentam um estado inflamatório crônico, que está ligado não apenas ao envelhecimento da pele, mas também ao envelhecimento biológico em geral, afetando aspectos como a cognição e a saúde cardiovascular.