A uma semana das eleições, o Brasil enfrenta um cenário preocupante de manipulação econômica e incertezas políticas. A proximidade do pleito eleitoral tem levado a decisões governamentais que desafiam a lógica econômica e comprometem a previsibilidade institucional. Recentemente, foram anunciadas a proibição das apostas esportivas, conhecidas como bets, e uma nova rodada do programa de renegociação de dívidas, o Desenrola 3.0. Esses movimentos evidenciam a falta de uma política econômica sólida para lidar com os problemas de endividamento e a educação financeira da população.
O Desenrola 3.0, embora apresentado como uma medida de alívio para as famílias em dificuldades financeiras, reforça o conceito de risco moral na economia. Ao implementar programas de perdão de juros e renegociações subsidiadas, o governo sinaliza que a inadimplência pode ser vantajosa. Essa abordagem penaliza os bons pagadores, que enfrentam taxas mais altas para compensar os riscos do sistema financeiro, exacerbando a desigualdade econômica.
A magnitude dos subsídios e garantias do Tesouro Nacional para a nova expansão de crédito é alarmante, com estimativas variando entre R$ 15 e R$ 20 bilhões. Essa quantia representa um peso significativo sobre o já elevado déficit primário e a dívida pública do país, oferecendo soluções temporárias que não abordam as causas fundamentais do endividamento.
Por outro lado, a decisão de banir as apostas levanta questões sobre a segurança jurídica no Brasil. Apenas alguns meses atrás, o governo havia implementado um modelo regulatório que previa arrecadações de R$ 10 bilhões a R$ 12 bilhões anuais por meio de impostos e concessões. Com empresas globais investindo no país e estabelecendo operações de grande escala, a nova proibição pode gerar insegurança e desconfiança no ambiente de negócios.
Como resultado dessas ações, o risco do país aumenta, refletindo-se na pressão sobre o valor do dólar e forçando o Banco Central a manter a taxa Selic em níveis elevados. Essa situação, por sua vez, contribui para o aumento do endividamento das famílias, que enfrentam as maiores taxas de juros do mundo, enquanto buscam alternativas de apostas em mercados clandestinos.
É fundamental que o Brasil busque previsibilidade e responsabilidade fiscal em suas políticas econômicas. A prosperidade econômica não pode ser garantida quando as decisões são pautadas pela conveniência eleitoral, especialmente em um período tão crítico. Para atrair investimentos, controlar a inflação e gerar empregos, é necessário estabelecer um ambiente de segurança jurídica e planejamento econômico, reduzindo assim os ruídos que dificultam o desenvolvimento do país.