A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) emitiu uma nota de solidariedade à jornalista Maria Cristina Fernandes, que atua no Valor Econômico, na rádio CBN e na GloboNews, veículos pertencentes ao Grupo Globo. A entidade manifestou repúdio aos ataques e tentativas de intimidação direcionados à profissional por usuários das redes sociais.
A controvérsia teve início em 24 de setembro de 2026, quando Maria Cristina fez um comentário que gerou grande repercussão. A jornalista mencionou a existência de um suposto movimento da Igreja Católica que visava retirar a Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira do Brasil, alegando que isso poderia influenciar o apoio dos católicos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Essa afirmação foi amplamente compartilhada em perfis de redes sociais vinculados ao PT e à esquerda.
Entretanto, não havia um movimento concreto promovido por evangélicos com a intenção de despojar a santa de seu título. A informação se baseava em boatos disseminados na internet, muitos deles originados de militantes e simpatizantes de esquerda, incluindo um funcionário do Palácio do Planalto que incentivava a propagação desse tipo de conteúdo.
A GloboNews, em resposta à repercussão, veiculou uma correção durante sua programação, esclarecendo que um projeto de lei para remover o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida existiu em 2007, mas foi arquivado em 2008. Após essa correção e o pedido de desculpas da emissora aos assinantes, surgiu uma onda de apoio a Maria Cristina Fernandes entre alguns jornalistas, resultando em publicações em defesa da profissional nas redes sociais.
Simultaneamente, críticos, incluindo políticos e militantes de direita, começaram a atacar o comentário da jornalista, o que contribuiu para a disseminação da ideia de uma suposta operação organizada para alterar o título da padroeira do país. A Abraji, em sua nota, destacou que Maria Cristina é uma das jornalistas mais respeitadas do Brasil, com décadas de experiência em análises políticas fundamentadas.
A entidade considerou inadmissível qualquer tentativa de intimidar ou descredibilizar a jornalista em função de seu trabalho. A nota concluiu afirmando que divergências de opinião e críticas são naturais em um debate eleitoral, mas devem ser expressas por meio de argumentos e não por ataques ou ameaças pessoais.