A Polícia Federal investiga o conteúdo de oito celulares do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso em novembro de 2025. Segundo os autos, os aparelhos revelam que o banqueiro atuou como editor de textos, posts, áudios e vídeos, numa atividade que se estendeu além dos patrocínios oficiais do banco. As mensagens indicam que ele geriu conteúdos em plataformas de notícias e redes sociais, com foco em contrapropaganda após as denúncias de crise do Banco Master.
Os arquivos mostram que Vorcaro definia pautas, supervisionava vídeos, editava planilhas e fazia cortes em áudios. A investigação aponta contratos que partiam de R$ 1 milhão para compra de serviços editoriais de blogueiros e plataformas de notícias. Um importante diretor do Grupo Globo teria sido abatido, conforme o material. A Polícia Federal incluiu a mídia entre as linhas de investigação, ao lado de autoridades dos três poderes.
O banqueiro é apontado como responsável por um golpe financeiro estimado em pelo menos R$ 50 bilhões, coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito. Entre as conexões reveladas, estão o presidente Lula, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e ao menos quatro ministros do STF, como Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Nunes Marques. Ciro Nogueira, que perdeu as eleições, também aparece entre os citados. Há ainda um contrato de R$ 138 milhões para o Banco Master ligado à esposa de Alexandre de Moraes, Viviane Barsi.
As investigações também alcançam o Tribunal de Contas da União e diretores do Banco Central, além de dezenas de deputados e senadores. O material menciona a atuação de Vorcaro na ressuscitação de precatórios para melhorar o balanço do banco. A comparação feita nos autos é com Jerson Maciel da Silva, do Grupo Avestruz Master, cujo golpe chegou a R$ 1 bilhão. A Polícia Federal segue analisando os aparelhos, e nem todos os smartphones tiveram os arquivos degravados e sistematizados.