A empresária e lobista Roberta Luchsinger afirmou, em entrevista exibida no sábado (17), ter conhecimento de reuniões entre empresários e autoridades do governo federal e anunciou a intenção de colaborar com a Polícia Federal. Ela é investigada por suspeitas de tráfico de influência em apurações ligadas à Operação Sem Desconto, que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A empresária foi alvo de buscas, bloqueios de bens e medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
Segundo Roberta, o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, participou de diversas reuniões com integrantes do alto escalão do governo federal. Ela afirmou que ele chegou a frequentar a residência do então ministro Camilo Santana, no Ceará, e contestou declarações de Lula sobre a atuação do filho, sustentando que o presidente tinha conhecimento desses encontros. A lobista também declarou que integrantes do governo recorriam a ela e a Lulinha para obter acesso à agenda presidencial, e que a proximidade com Marco Aurélio Ribeiro Santana, ex-chefe de gabinete de Lula, facilitava pedidos de reuniões e prioridades para projetos.
Roberta confirmou ter emprestado dinheiro ao ex-assessor, mas negou receber contrapartidas ou benefícios em contratos públicos. A defesa de Marco Aurélio afirmou que os valores foram integralmente devolvidos e negou favorecimentos. Ela também mencionou suposta participação de Lulinha em negociações envolvendo a ECB, empresa vinculada ao grupo português Mota-Engil, e disse que o filho do presidente teria ajudado a companhia a conquistar contratos com o governo federal, embora tenha reconhecido que não participou diretamente das tratativas.
A empresária acusou o presidente de tentar transferir para ela a responsabilidade pelas irregularidades investigadas, após Lula tê-la chamado de “pilantra” e comparado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso Banco Master. Ela afirmou que foi transformada em “boi de piranha” e que não aceitará assumir responsabilidades por atos de outras pessoas, classificando o presidente como mentiroso e covarde. Roberta relatou ainda receber ameaças de morte e disse que suas duas filhas também estariam sendo atingidas por ataques, que teriam se intensificado após as declarações públicas de Lula. Segundo ela, uma de suas filhas sofreu um acidente automobilístico em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, e ela não conseguiu acompanhá-la devido a restrições judiciais de deslocamento. As circunstâncias do acidente continuam sendo investigadas, e ela não apresentou provas de que o episódio tenha sido provocado intencionalmente.
Roberta declarou que deseja firmar um acordo de colaboração premiada e fornecer informações que não constam das mensagens de WhatsApp apreendidas pela Polícia Federal, afirmando ter presenciado reuniões e conversas que poderão ser relatadas aos investigadores, independentemente de quem possa ser atingido. Após a entrevista, Lula divulgou nota afirmando desconhecer as tratativas mencionadas, negando ter recebido demandas dela ou mantido interlocução pessoal, e questionou a divulgação das acusações às vésperas do segundo turno presidencial. A defesa de Lulinha negou irregularidades e afirmou que suas relações com integrantes do governo são pessoais, sem contrapartidas ilegais, sustentando que as declarações públicas de Roberta são incompatíveis com depoimentos prestados anteriormente às autoridades. A Polícia Federal apura suspeitas de tráfico de influência, mas ainda não há condenação judicial relacionada às acusações apresentadas.