A coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e ex-presidente da Caixa, Daniella Marques, anunciou na segunda-feira (19.out.2026) a proposta de criar uma regra de transição de 2 anos no Bolsa Família. O objetivo é estimular beneficiários a abrir negócios próprios ou ingressar no mercado formal de trabalho. Atualmente, sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o prazo de transição é de até 1 ano e meio.
A proposta também prevê o retorno automático ao benefício para quem tentar sair do programa e não conseguir emprego ou renda nesse período de 24 meses. Hoje, a família tem até 3 anos após o cancelamento por fim da Regra de Proteção ou desligamento voluntário para solicitar o retorno garantido, caso sua renda diminua ao ponto de retornar à situação de pobreza. Nesses casos, a família deve procurar a gestão municipal e atualizar seus dados cadastrais, em especial os de renda.
Na regra atual, ao entrar na Regra de Proteção, mesmo quando a renda ultrapassa R$ 218 por pessoa, a família não é imediatamente excluída. Ela pode continuar recebendo 50% do valor do benefício que recebia antes, por até 18 meses. Para estar nessa condição, a renda mensal por pessoa não pode ultrapassar R$ 706. Também é preciso manter os dados atualizados no Cadastro Único, incluindo alterações de renda, endereço, telefone ou composição familiar.
Em entrevista à CBN Bahia na segunda-feira (19.out), Daniella afirmou que as pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família. A declaração provocou críticas de governistas. O porta-voz da campanha de Lula, senador Camilo Santana (PT), disse que a fala mostra onde Flávio Bolsonaro quer cortar os seus 200 bilhões de reais de tesouraço. Em seguida, Flávio Bolsonaro publicou vídeo no Instagram e deu outro tom, afirmando que os beneficiários continuarão recebendo o Bolsa Família por até 2 anos depois de conseguir emprego de carteira assinada ou abrir a própria empresa. Daniella também publicou vídeo em suas redes sociais para detalhar a proposta.
Ela anunciou ainda um plano emergencial para reestruturar dívidas de famílias e empresas acumuladas durante o atual governo, com carência de 6 meses para famílias reorganizarem suas dívidas e prazo de 12 meses para micro e pequenas empresas recompor a capacidade de pagamento. O ajuste fiscal prometido pela campanha teria como objetivo a redução de impostos e burocracia, não cortes em programas sociais. Daniella descreveu o Brasil como um inferno para abrir um negócio e apontou a prosperidade do cidadão como objetivo central do plano econômico, que teria o controle das contas públicas como um dos pilares para reduzir a dívida e permitir queda dos juros reais.