O Partido Novo Em Pernambuco superou a cláusula de desempenho nas eleições deste ano com 3,85% dos votos nominais do estado para a Câmara Federal. O resultado ajudou a legenda a chegar a 10 deputados federais em todo o país e a cumprir a exigência de mais de 1,5% dos votos em pelo menos nove estados. Em Pernambuco, o percentual foi de 3,86% dos votos válidos para a Câmara.
O desempenho estadual foi impulsionado pela eleição de Eduardo Moura, que se tornou o terceiro deputado federal mais votado no Recife, com 54.534 votos. Ele ficou atrás apenas de Jones Manoel (PSOL) e Pedro Campos, e à frente de Gilson Machado (41.982 votos) e Anderson Ferreira (41.193 votos). Com essa votação, Moura passou a ser citado como nome de peso da direita para a disputa pela Prefeitura do Recife em 2028. Procurado sobre o assunto, o presidente estadual do partido, Técio Teles, afirmou que é cedo para essa discussão, mas admitiu que Moura já se colocou à disposição.
Além de Moura, o Novo elegeu Renato Antunes para a Assembleia Legislativa, com 32.200 votos. Para conquistar a cadeira, porém, foi necessário somar os votos dos demais candidatos da legenda: Moura precisou agregar seus 113.482 votos aos 89.545 dos outros candidatos a federal para atingir o quociente eleitoral de 200 mil votos. No caso de Antunes, a soma com os outros 49 candidatos estaduais alcançou 121.604 votos para a Assembleia. O partido também lançou Carlos Sant'Anna ao Senado, que obteve 698.316 votos e superou Túlio Gadelha.
Segundo Técio Teles, o crescimento do Novo nos últimos três anos se deve ao esforço coletivo dos filiados na Região Metropolitana e no interior, o que permitiu formar uma chapa proporcional vitoriosa. Ele destacou que, agora que a legenda venceu a cláusula de barreira, terá tempo de TV, fundo eleitoral e partidário, o que deve ajudar a crescer ainda mais. Teles foi candidato a deputado estadual e ficou na segunda suplência.
A cientista política Priscila Lapa vê o avanço do Novo como sintoma do bolsonarismo, que, segundo ela, fortaleceu lideranças além do PL. Para 2028, ela projeta um cenário com o grupo da governadora, o grupo da atual gestão e nomes associados ao bolsonarismo disputando o Executivo municipal. Segundo Lapa, o cenário nacional terá papel decisivo e os próximos dois anos serão fundamentais para definir como esses nomes se conectarão com o eleitor recifense e como as alianças se estruturarão.