Os presidenciáveis Lula da Silva e Flávio Bolsonaro encerraram a campanha do segundo turno nesta sexta-feira com um debate na TV Globo marcado mais por propostas para enfrentar dificuldades econômicas, políticas e de segurança do que por embate ideológico. O programa começou com atraso de 20 minutos, mas cumpriu o cronograma até o fim, incluindo direitos de resposta, e teve a plateia contida pelo mediador Cesar Tralli em duas ocasiões em que tentou se manifestar.
Lula foi identificado como um presidente mais preocupado em prestar contas de sua gestão, enquanto Flávio Bolsonaro demonstrou tranquilidade para revidar ataques, reconhecer erros e buscar a confiança do eleitor. O candidato explorou pontos fortes em economia e segurança, citando o endividamento das famílias, as altas taxas de juros e a insegurança nas ruas, e afirmou que o povo escolheu a mudança para enfrentar o crime organizado e fazer o salário render até o fim do mês.
Lula ressaltou a falta de cuidado do ex-presidente Jair Bolsonaro com a saúde durante a pandemia, os investimentos no SUS e culpou a elite pela falta de distribuição de renda. O presidente também cobrou o voto de Flávio, quando deputado, contra a ampliação da licença maternidade e sua atuação em defesa do policial envolvido na morte da menina Ana Clara, no Rio de Janeiro, cuja mãe estava na plateia a convite do presidente. Flávio pediu desculpas pelas atitudes da época e esclareceu que atuou como advogado do réu, ressaltando que a Justiça ainda não provou se o disparo do policial ou a troca de tiros vitimou a menina.
O candidato, que no debate anterior da Band foi criticado por comparecer sem gravata e com o colarinho desabotoado, desta vez usou gravata e, apesar do nervosismo inicial, controlou-se até o fim, inclusive nos momentos de críticas de Lula. O presidente demonstrou impaciência e se confundiu com o tempo, sendo informado por Tralli várias vezes sobre a necessidade de ceder espaço ao adversário.
O tema Banco Master e Daniel Vorcaro foi o mais espinhoso. Lula acusou Flávio de ter pedido dinheiro a Vorcaro para o filme Dark Horse sobre Jair Bolsonaro, enquanto Flávio acusou ministros do governo de amizades estreitas com o banqueiro e de serem beneficiados, além de citar Lulinha, filho do presidente, investigado no escândalo do INSS que, segundo ele, tirou dinheiro dos aposentados. Nenhum saiu vencedor nesse quesito.