O pastor Silas Malafaia elogiou o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, por arquivar a investigação contra ele e determinar a devolução dos bens apreendidos, entre eles o passaporte. O religioso também acusou o ministro Alexandre de Moraes de covardia.
Em declaração, Malafaia afirmou que a apreensão de seus pertences foi uma tentativa de silenciá-lo. Segundo ele, além do passaporte e do celular, a Polícia Federal (PF) recolheu seus cadernos teológicos.
Malafaia também elogiou o procurador-Geral da República, Paulo Gonet, que pediu o arquivamento por considerar insuficientes as provas para dar continuidade à investigação. "Na covardia foi tomado meu passaporte. Perseguição para me calar, [perseguição] vergonhosa de Alexandre de Moraes. Eu já fiz críticas a Fachin, já fiz críticas duras a Paulo Gonet, mas, na hora de elogiar, tem que elogiar. Os caras foram justos. E deram um recado para Alexandre de Moraes, dos absurdos que ele está cometendo", afirmou.
A decisão de Fachin, assinada nesta segunda-feira (26/10), revogou as medidas cautelares impostas ao pastor, incluindo a proibição de deixar o Brasil, e determinou a devolução dos bens apreendidos na operação da PF de 20 de agosto do ano passado. O ministro acolheu um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), que concluiu não haver provas suficientes da participação de Malafaia em uma articulação para pressionar autoridades brasileiras por meio de sanções dos Estados Unidos.
O pastor era investigado por suspeita de envolvimento no crime de coação no curso do processo, atribuído ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) e ao jornalista Paulo Figueiredo. Segundo a PGR, os dois atuaram junto a autoridades estrangeiras para tentar impor sanções a agentes públicos brasileiros e prejudicar o andamento da ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado. Ao acolher o pedido, Fachin destacou que cabe à PGR avaliar se há elementos suficientes para dar continuidade à investigação. "Diante do arquivamento deste procedimento investigativo, deixa de subsistir fundamento para a manutenção da apreensão cautelar dos bens, uma vez ausente necessidade ou interesse em seu acautelamento para fins de apuração", afirmou o ministro. O caso chegou ao gabinete de Fachin após a saída de Alexandre de Moraes da relatoria do Inquérito das Fake News, quando as investigações sem ações penais passaram à Presidência do STF.