O julgamento do empresário Fernando Sastre entra no segundo dia nesta quinta-feira (29/10), no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo. O réu deve depor perante o júri popular, além de pelo menos outras duas testemunhas, entre elas a policial militar Dayse Aparecida Cardoso Romão, que liberou o empresário do local do acidente sem que ele passasse pelo teste do bafômetro. Na primeira sessão, foram ouvidas nove testemunhas.
Entre elas, Marcus Vinicius Machado Rocha, amigo de Sastre que estava de carona no Porsche 911 no momento da batida, afirmou ter sido intimidado e abandonado pelos amigos após relatar o que considera ser a verdade sobre a noite do acidente. Ele fraturou quatro costelas e perdeu o baço na colisão. Segundo seu depoimento, amigos de Sastre pediram que ele mentisse ou aliviasse a situação para o empresário, mas ele recusou e foi chamado de traidor. "Lembrar de tudo o que aconteceu dói muito, porque não foi só o ato. Depois de muitas atitudes, perdi todos os amigos em comum, ninguém mais fala comigo", declarou.
Também prestou depoimento Lucas Morais da Silva, filho mais velho do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, que morreu no acidente. Ele afirmou que não consegue mais trabalhar com aplicativos após a morte do pai e espera que a punição de Sastre sirva como "recado para a sociedade". "Nada mais vai trazer meu pai de volta. Mas uma pessoa fazer o que fez e ir para casa, querer dormir como se nada tivesse acontecido, está muito errado isso", disse. A mãe de Sastre, Daniela Cristina de Medeiros Andrade, alegou durante a sessão que houve falha mecânica no Porsche 911: "Foi uma fatalidade. O carro não respondeu como deveria responder".
A defesa do réu, representada pelo advogado Jonas Marzagão, busca desclassificar o crime de homicídio doloso para culposo, quando não há intenção de matar. Marzagão afirmou que os depoimentos mostrarão que o grupo não estava embriagado "do jeito que falam" e que o acidente foi provocado por imprudência. Já o advogado Flávio Torres, que representa a família da vítima, espera condenação por homicídio doloso. "Ficou demonstrado que ele agiu com dolo eventual. Ele assumiu o risco. Tanto é verdade que ele estava a 140 km/h em uma via de 50 [km/h]. Ele bate no carro do seu Arnaldo e finge que nada aconteceu", declarou.
O acidente ocorreu na madrugada de 31 de março de 2024, quando Sastre, então com 24 anos, dirigia o Porsche 911 pela Avenida Salim Farah Maluf, na zona leste de São Paulo. Segundo testemunhas, ele tentou uma ultrapassagem em alta velocidade e bateu na traseira do Renault Sandero conduzido por Ornaldo, de 52 anos, motorista de aplicativo. Ornaldo foi levado ao Hospital Municipal do Tatuapé, onde sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu; a causa da morte foi registrada como traumatismos múltiplos. Após a batida, Fernando deixou o local. Ele está preso desde maio de 2024.