Um estudo publicado na revista científica The New England Journal of Medicine em 23 de outubro indica que a retirada de coágulos em casos de AVC isquêmico pode trazer benefícios mesmo quando realizada entre 24 e 72 horas depois do início dos sintomas. A pesquisa foi conduzida em 35 centros especializados na China e avaliou 1.088 pacientes, dos quais 336 participaram da análise comparativa.
Os participantes foram divididos em dois grupos: um recebeu a terapia endovascular além do tratamento médico padrão, e o outro recebeu apenas o tratamento padrão. Após 90 dias, os pacientes submetidos à retirada do coágulo apresentaram melhores resultados funcionais, com maior probabilidade de evolução favorável na capacidade de realizar atividades diárias. Para integrar o estudo, era necessário ter obstrução em grandes vasos da circulação anterior e sinais, em exames de imagem, de tecido cerebral ainda viável.
A intervenção, no entanto, apresentou riscos. A hemorragia intracraniana ocorreu em 28,3% dos pacientes do grupo da terapia endovascular, contra 5,5% no grupo de tratamento padrão. Já a hemorragia intracraniana sintomática foi registrada em 4,8% dos que passaram pelo procedimento, sem ocorrências no grupo de controle.
Os resultados variaram conforme o local e a origem da obstrução. Houve maior possibilidade de melhora funcional entre pacientes com bloqueio da artéria carótida interna do que entre aqueles com obstrução da artéria cerebral média, e a resposta também diferiu conforme o tipo de aterosclerose identificado. Por isso, os autores ressaltam que o procedimento não deve ser indicado de forma indiscriminada para qualquer pessoa que tenha sofrido um AVC há mais de 24 horas.
A trombectomia endovascular já é usada no tratamento de AVCs causados pelo bloqueio de grandes vasos, com benefícios demonstrados em pacientes selecionados até 24 horas após os sintomas. O novo estudo aponta que a janela de tratamento pode ser maior em casos específicos, mas a intervenção tardia exige avaliação cuidadosa dos benefícios e riscos, considerando as condições clínicas e os exames de cada paciente.